quinta-feira, 26 de julho de 2007

CHEAP TRICK - Surrender

É o que eu sempre digo: We’re all alright, we’re all alright.

Mother told me, yes she told me | I'd meet girls like you | She also told me stay away | You'll never know what you'll catch | Just the other day I heard | Of a soldier's falling off | Some Indonesian junk | That's going 'round || [Chorus: Mommy's allright, Daddy's allright | They just seem a little weird | Surrender, surrender | But don't give yourself away] || Father says your mother's right | She's really up on things | Before we married Mommy served | On the WACs in the Philippines | Now I had heard the WACs recruited | Old maids for the war | But Mommy isn't one of those | I've known her all these years | [Chorus] | Whatever happened to all this season's | Losers of the year | Every time I got to thinking | Where'd they disappear | Then I woke up, Mom and Dad | Are rolling on the couch | Rolling numbers, rock and rolling | Got my Kiss records out [Chorus] Awaaaayyy, Awaaaayyy... | We’re all alright, we’re all alright… |.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

O assessor especial da Presidência da República Federativa do Brasil

O assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, sob pressão do Jornal Nacional e dos políticos brasileiros, acaba de pedir desculpas a nação brasileira por peidar em seu gabinete.

A câmera, que outro dia, durante a sua espionagem, sozinha, flagrou o assessor gesticulando por causa do acidente do avião, não quis se pronunciar a respeito. Alguns cogitaram ser o luto oficial.g

"Cromossomo 3 - Os filhos do medo (The Brood ou Cromossome 3)" - 1979 - DIR: David Cronenberg

Frank Carveth (Art Hindle) não é o tipo de protagonista que está à espera do tradicional obstáculo de roteiro que vai proporcionar conflito e fazer a trama deslanchar. Ele não está levando a vida em linha reta em seu rumo até que uma vaca morta na estrada o force a desviar. As possibilidades de conflito para o personagem parecem estar em todo lugar, se oferecendo pra serem usadas. Frank está pleno de problemas que vêm de seu casamento dissolvido com Nola (Samantha Eggar). Mas a coisa vai além do desarranjo familiar. Sua ex-esposa vive em uma clínica psiquiátrica em tratamento intensivo sob os cuidados do Dr. Hal Raglan (Oliver Reed), que criou uma inovadora cura dos males da psique, o Psicoplasma, que consiste em fazer os pacientes manifestar sua ira mais profunda em resultados físicos, quase sempre como marcas relacionadas com dor (feridas, hematomas, escoriações, etc.). A avó materna de Nola (Juliana Kelly, interpretada por Nuala Fitzgerald), por causa de divórcio, também tem seus problemas afetivos e isso vem sinalizar para Frank o que pode ser dele daqui a alguns anos. O avô materno (Barton Kelly, interpretado por Henry Backman) estende a possível mazela futura de Frank para o vício que consola em vão, e por isso os laços com o passado estarão mais intensos e doloridos. Como se não bastasse os sinais de um futuro nada promissor no campo afetivo, a vida amorosa de Frank está em frangalhos, a ponto de afastar qualquer outra pessoa que porventura queira estabelecer laços amorosos; sinais de um futuro péssimo desde o presente, e não só no porvir. E a filha, Candice (Cindy Hinds), vem manifestando um comportamento alimentado pela conjuntura familiar.

Momentos em que o acúmulo de variados problemas força o rearranjo de tudo, nada semelhante à trajetória de vida tranqüila em que de repente surge um foco de sofrimento; doença grave num membro da família, por exemplo. É mais como se cada setor da vida do indivíduo, a partir de cada fundamento, viessem se rearranjando todos ao mesmo tempo. Mudança assim, em coisas pelas quais se tem afeto, geralmente resulta em sofrimento. E quando todas as partes do todo parece se rebelar contra as coisas e estados que estimamos, um sofrimento de maiores proporções se configura num dos piores temores que considerávamos possíveis, pois não afeta apenas o indivíduo, mas todo um sistema em que o indivíduo está ligado a outros por amor.

Na situação em que os focos de sofrimento são multiplicados, algumas pessoas se desesperam, angustiam-se, entram em depressão, enlouquecem, optam pelo suicídio; outras assimilam as situações ao invés de entregarem-se aos sentimentos e desejos (elas possuem os mesmo anseios, mas parecem preferir entregar-se ao infortúnio). Masoquismo? Estoicismo? Resignação forçada, comum aos miseráveis? Não é pra tanto. Em meio ao sofrimento múltiplo, esse tipo de pessoa faz o que está a seu alcance em relação a um setor específico, os outros, sinto muito, ficam de molho – se pagar a conta de luz, não se paga a de água; mas a de água demora mais pra cortar, então pago a de luz.

Outro matiz dos que estão imersos no sofrimento é em dado momento optar por agir em favor de quem/o quê se ama muito, como se o sofrimento tivesse livrado da supervalorização certas coisas a que ela estava arraigada. São pessoas e necessidades que passam a merecer um esforço a mais do que já se faz pra se ficar de pé em meio a esse tudo. Coisas únicas que agora parecem ter valor são aquelas dignas do amor mais puro, purificado pelo sofrimento, por assim dizer, amor que faz parecer o destino dele algo mais nítido do que antes. E é acontecimento dessa ordem que é o rompante da trama em "Os filhos do medo (The Brood - 1979 - Dir: David Cronenberg)": o conflito do personagem Frank parte do esforço extra que o afeto requer para aquilo que detém importância maior dentre todos os demais – a filha de Frank, Candice, depois de uma visita à mãe na clínica, volta pra casa com machucados nas costas.

Vestígios de violência, de acidente, da insanidade materna, vestígios de experiências psico-traumáticas? Cronenberg opta por se dedicar aos vestígios dos outros membros do debilitado sistema familiar Carveth/Kelly antes de fornecer a resposta, como se a filha, ela mesma um vestígio dos pais, precisasse ser amadurecido antes da eclosão de sua dor.

Se Frank rejeita num primeiro momento sua ex-esposa Nola como vestígio seu (aparentemente muito decididamente, de modo a eliminar um sofrimento desnecessário), o mesmo não se dá com os pais dela. Juliana e Barton são vestígios um do outro e possuem vestígios um do outro. Os vestígios que ambos detém são a má resolução do convívio amoroso e com o tempo imprimiram marcas mais profundas. Em Juliana a dor dos indícios estava manifesta o tempo todo, internamente, mas tão presente que é evidente no exterior. Em Barton eles estavam incubados, mas vieram à tona quando ele percebe que seu vestígio ficará sem solução, quando a perda definiu que será assim (vestígio sem origem, sem motivo, gera incerteza, o que incrementa a dor). Ambos encaram suas marcas de modo oposto a Frank. Eles são o que seria de Frank no futuro, caso tivesse sustentado sua relação com Nola por mais tempo.

Nola Carveth não faz a contenção de sua ira como Frank faz com a sua (ira que no filme sempre produz os resultados mais bizarros, deformados e deformadores, e tem muita importância no desenvolvimento do filme). As relações que ela mantém com os vestígios diante de si são todas desequilibradas, ela rejeita a natureza deles, como na cena em que lambe o produto de si mesma animalescamente (tratamento que não é dado nem a um objeto, nem a algo dotado de vida humana). Nola, como muito dos demais personagens do filme, tem traços do momento da vida de Cronenberg que corresponde ao período da roteirização do filme, que se deu durante o complicado divórcio de sua esposa na época; ele teria dito que Nola possuía algumas características de sua esposa, como muito do que há no filme expressa os temores e desejos de Cronenberg no momento.

Como o próprio Cronenberg mais tarde disse em entrevista a Serge Grunberg, para a revista Cahiers du cinema, ele não tinha a intenção de dar traços autobiográficos ao filme. O que havia em si era uma necessidade de escrever antes de descansar de todo o tumulto das questões de separação e custódia, a estória tinha de ser escrita de uma vez, logo. A obra que surgiu é a que mais possui material extraído da vida do realizador. Um filme escrito e realizado privilegiando a dimensão fantástica e a invenção e que foi motivado por uma espécie de compulsão nunca sentida antes, segundo Cronenberg, espécie de expurgo dos períodos mais complicados da vida do cineasta.

Há ainda os vestígios dos outros personagens que não se envolvem intimamente com o sistema principal do filme – mas não deixam de participar intensamente dele, como se Cronenberg não deixasse ninguém sem sua marca, como se ninguém que tivesse o menor contato com a circunstância saísse ileso: o personagem que move o processo contra Raglan tem seus vestígios revoltando-se contra ele (são os laços afetivos construídos no passado que se manifestam posteriormente descontentes); a professora de Candice, que se enamora por Frank, não sabe lidar com os vestígios em Frank, se esquiva deles e teme os que estão em Nola (é a possibilidade de não haver novas relações amorosas no futuro, por causa da assombração pelo passado ou pelo que há do passado em Frank); ou o personagem insano, que ignora os vestígios e a dor advinda deles e doentiamente permuta a importância da dor pelo desejo de afeto (o temor de no futuro a ânsia por afeto se tornar uma obsessão pelos acontecimentos passados).

O Dr. Raglan é a frieza científica que facilmente manipula o pior numa situação para se alcançar a solução (ou para resultar em feridas que se justificam ao dizer que são percalços até a solução?); ele é o lado cruel humano que se manifesta em épocas difíceis ou não, que não hesita em colher benefícios em nome de suas prioridades, mesmo sabendo que isso pode causar feridas no outro, sobre a escusa da necessidade. Raglan de certo modo passa a ser também uma espécie de confirmação de que o filme não é a voz de quem pode mais, que vai nortear a opinião alheia a seu favor e satanizar o outro; ninguém está incólume de culpa, responsabilidade ou origem de dor, principalmente seu realizador.

Os derradeiros planos do filme, epílogo da trama, também é um diálogo que o filme faz com mais de um sentido em relação aos resultados do que se acabou de assistir, se assemelhando ao que era a circunstância do pai de Candice ao início do filme – era, porque ao fim já não sobra senão uma única coisa do passado que promete estar presente no futuro. O plano do braço da menina com as feridas em duplicidade, vem remeter a duas questões: a dor emocional da criança – como já indicado pelo psicólogo da polícia, coisas que se manifestam de um jeito ou outro caso não se assuma o que presenciou (um passado imediato, que já é o presente da personagem) – e uma herança materna que traz a semelhança da genetriz consigo – neste caso, do passado vem a possibilidade de ruína no futuro vislumbrada desde o presente (por isso o plano seguinte dos olhos da menina com sinais de choro, mas sem expressão que diga o porquê das lágrimas); nada de alívio, é a dor (e depois, talvez, loucura, e adiante, horror) que em alguém forçosamente seguirá para o futuro. É o fantástico terrível transcendendo os limites ficcionais entre espectador e filme, deixando vestígios na vida e indicando em si os que colheu dela. g

Nada de estrelas ou desenhinhos. Aprovação: 72,7%

Sugestão de link (em inglês): http://www.cinetudes.com/THE-BROOD-by-David-Cronenberg-Part-1-1979_a142.html
Ah, morreu o ACM.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Ira - "Invisível DJ"

Estava ouvindo os três primeiros discos do Ira! E dei uma passada no site deles pra ver se tinha algo do disco novo "Invisível DJ"; tinha o disco todo em razoável qualidade – quem destina os ouvidos exclusivamente aos mp3 talvez até espirre um “muito boa qualidade!” –, deu-se o acidente.

Olha, é e não é o Ira! de 1985/1986. O não ser todo mundo já deve saber, de tanto que a fãzada torceu o bedelho. O ser é que por mais que se discorde, o Ira! é uma das bandas rock-pop safra 80, que menos se descaracterizou no passar dos ânus. A banda quis apontar pra uma maturidade, trilhou um caminho de pedras, deixando cair nele aquela jovialidade que dava fôlego a tudo que fazia (e pra muitos isso custou os olhos-da-cara), ficando farto do Rock’n roll e buscando outras batidas.

De Mods caíram na MTV e deram uma contribuição extra para o mundo estar ainda mais evacuado do que precisa junto com outros músicos em versão acústica. Esse cruzamento Ira!-MTV não deixa de ser curioso também, pois faz lembrar de direções do rock dos anos 90 até hoje: quantas bandas de inclinação e trejeitos Mods surgiram depois deles, mas todas elas eram Mods na forma (Oasis e britpops) ou são Mods na Unique selling proposition (Strokes, Kaiser Chiefs). Bem, não dá pra esquecer dos EMOs, os Mods de hoje, com pouquíssima semelhança com o movimento que tinha The Who: os EMOs são Mods no credo.

Pra EMO o disco novo do Ira! pode soar como uma coisa de outro plano astral. Ainda existe boa guitarra (que não é crua, anda de mãos dadas com outras sonoridades, procura saídas simples, mas hoje pouco habituais, e é rock’n roll, e é legal – posso me arrepender disso depois) e boa cozinha no mundo pop-rock nacional. O Nazi é sempre o Nazi.

A faixa 1 pode surgir na novela um dia. Malhação, talvez. Tem gente que vai achar esquisita a 2, mas ela tem qualidade. No geral o CD inclina mais pro rock do que pro pop, faz lembrar de leve um U2 que não quer saber do altruísta-poeta, esbarra no canastrão (mas é pop, então pode), tem músicos bem mais competentes, letras melhores, e na musicalidade parece caber qualquer adendo, como Beatles (que quié isso memo?) e uns barulhinhos a mais vindo de outras épocas a mais.
Ah, e a faixa 11 “O candidato” parece protesto tipo Titãs, sem os adjetivos de baixo calão, mas com a guitarra do Scandurra: o instrumental parece justificar a entrada no disco, mas um tiquinho de bom senso estapeia dizendo que nem assim presta. O melhor do disco é que ele me provocou a vontade de ouvir pela 1.077ª o disco do senhor Michael James Ness (que também pode dizer “Nasci em 62” – do dia 3 de abril, em Machachuches), o “Sex, Love and Rock 'n' Roll”.

Pronto. Isso equivale a você me visitar com flores no hospital após a um acidente.

Acidente que leva pra hospital não acontece todos os dias, nem a toda hora, que isso fique bem claro. g

O site: http://grupoira.uol.com.br/novo/index.asp

sábado, 12 de maio de 2007

Ilíada+Simone Weil: a força e a violência no homem, e a graça

O verdadeiro herói, o verdadeiro tema, o centro da Ilíada é a força. A força empregada pelo homem, a força que escraviza o homem, a força diante da qual a carne do homem diminui. Nessa obra, em todos os momentos, o espírito humano aparece modificado por suas relações com a força, como que varrido, tornado cego, pela própria força que ele imaginou que poderia controlar, deformado pelo peso da força a qual ele se submete. (...)

Definir força – é aquele x que transforma qualquer um que se submete a ela em uma coisa. (...) Ela o transforma num cadáver. Alguém esteve aqui, e no minuto seguinte não há absolutamente ninguém. (...) Da primeira propriedade [da força] (a capacidade de transformar um ser humano numa coisa pelo simples método de matá-lo) brota outra..., a capacidade de transformar um ser humano numa coisa enquanto ele ainda está vivo. Ele está vivo, ele tem uma alma; e, ao mesmo tempo, ele é uma coisa... E no que diz respeito à alma, que casa extraordinária a força encontra nela! Quem pode dizer o quanto custa, a cada momento, acomodar-se a essa residência, contorcer-se e curvar-se, quanto dobrar-se e enrugar-se são necessários para isso? Ela não foi feita para morar dentro de uma coisa; se ela o faz, diante da pressão da necessidade, não há um único elemento de sua natureza que não seja violentado...

Talvez todos os homens, pelo simples fato de nascerem, destinam-se a sofrer violência; ainda assim, esta é uma verdade para a qual a circunstância fecha os olhos dos homens. (...) Eles têm em comum uma recusa em acreditar que ambos pertencem à mesma espécie: os fracos não vêem relação entre si mesmos e os fortes, e vice-versa. (...) [Os fortes], empunhando o poder, não suspeitam do fato que as conseqüências de seus feitos vão finalmente retornar a eles. (...) [Mas eventualmente isso acontece, e] nada, nenhum escudo, pode manter-se entre eles e as lágrimas.(...)

Assim, a violência oblitera qualquer um que sinta seu toque. Ela parece tão externa àquele que a emprega quanto ao que dela é vítima. E daí brota a idéia de um destino diante do qual tanto o executor quanto a vítima encontram-se igualmente inocentes. (...), irmãos na mesma miséria. (...)

Aqueles que crêem que o próprio Deus, desde que se tornou humano, não pôde manter a severidade de seu destino diante de seus olhos sem tremer de angústia, deveriam entender que as únicas pessoas que podem parecer que se elevam acima da miséria humana são aqueles que mascaram a severidade do destino de seus próprios olhos com a ajuda da ilusão, da embriaguez ou do fanatismo. Ninguém que não esteja protegido pela armadura de uma mentira pode sofrer a força sem ser atingido até a alma por ela. A graça pode prevenir que esse sopro nos corrompa, mas não pode prevenir a ferida.g


Simone Weil, "A Ilïada ou O poema da força". Escrito em 1939, a propósito da iminente guerra. Assinado com um anagrama, Émile Novis, porque um judeu não podia ser publicado.


Traduzido para o português por Ruy Gardnier, e publicado em:
http://www.contracampo.com.br/86/artgeometriadaforca.htm#1 , a partir de um artigo de Tag Gallagher, origninalmenete publicado em Cahiers du sud, XIX, 230, December 1940.
O artigo de Weil citado por Gallagher "A Ilïada ou O poema da força" está publicado na compilação Simone Weil: a condição operária e outros estudos sobre a opressão, organizada por Ecléa Bosi e editada pela editora Paz e Terra, Rio de Janeiro. A segunda edição é de 1996.

domingo, 1 de abril de 2007

Caos? Tumulto? Anarquia? + E agora, turma que só mexe a bunda em fevereiro?

Domingo, 1 de abril de 2007 - 20:46 - termina a primeira parte da cobertura do global Fantástico sobre o apagão aéreo:
“Nossa reportagem em trânsito nos aeroportos bem no momento do apagão aéreo.”
(Renata Ceribelli, Caco Barcelos, Wiliam Wallace)

***

“É só no grito que as coisas andam nesse país?”
“O que a senhora está querendo?”
“Quero uma cama pra dormir, um banheiro pra URINAAAR!”

***

“Ah, eu sou do nordeste.”
“Esse papelão, conseguiu onde?”
“Ah, é o mesmo que usam nas caixas pra trazer comida pra gente. Peguei lá na TAM.”
“A cama é de solteiro ou casal?”
“Casal, né! Heh.”

***

“Agora a gente sai do avião e vai pra onde?”

***

Um teco de Polenguinho nos dedos em pinça na mão direita, uma pacote de biscoitos na mão esquerda:
“Olha minha refeição, olha em que ponto as coisas chegaram.”

***
“Ordem e Prougrresso em su banderra. Prougrresso. Cadê prougrresso?”
A câmera continua seguindo
“MIERRDA!”

***

“...está noiva e está presa no aeroporto bem na data do casamento. Na mão mostra o enfeite que ela mesmo preparou para o bolo.”
“Pus até os detalhes de cada um no enfeite. - Chuif!”
“Como assim, que detalhes?”
“Brinquinho, topete...”

***

Fulano do lado de fora da situação na TV:
“Bem-feito! Pra essa classe-medíocre aprender um pouco o que é ser mendigo!”

***

Beltrano do lado de fora da situação na TV:
“Não é possível, esse Lula não vai fazer nada?”

***

Cicrano do lado de fora da situação na TV:
“Quem sou eu?”
Gongo
“Decretado.”
“Hoje.”
“Estado”
“De.”
“Sítio.”
“No país.”

sexta-feira, 23 de março de 2007

Vitruvius + Da Vinci

A poeira assentou um pouco, então me dá licença, agora eu tomo a palavra.

No calor da hora tem muita coisa que não adianta falar. Dize-las mais tarde faz bater uma brisa que diz “...sssstupidezzzzzdasssssuaparteeehh...”, que pra quem fala serve como vingança ou ufanismo.

Nenhum dos dois me interessa, só quero lembrar da melhor fatia do bolo, a grande sacada do Dá-20 quando fez um belíssimo e útil desenho. Veja bem: o toscano tinha um traço do cacete (veja seus outros desenhos) e pra dizer a verdade, desenho pra entretenimento é legalzinho, mas é banal perto desse; e desenho de arte serve a si mesmo, às demais pessoas, mas não resolve questões que cozem os miolos científicos há tempos.

Desde já assumo que sou muito do mequetrefe em matemática. Em toda matemática; sem distinção, porque eu não sou disso. Pensando agora, deve ter sido obra celestial eu ter chegado até aqui, academicamente falando. Até os (Da) 20 anos achava uma coisa insuportável, parecia que alguém escarrava na massa cinzenta antes de meter lá um cartaz pesado que vai entortando, girando, e caindo-caindo pousa lá na pança onde ácidos consumiam números, incógnitas, operações. Ato contínuo, DP. Por isso, se eu escorregar me deixe caído onde estou, ria do meu tombo (creia-me; se acontecer vai ser escandaloso. Aí, percebendo, é fácil chutar de canto), mas não ignore o que segue, porque me baseei em outros que expuseram o fato melhor que eu faria inicialmente.

Isso porque, antes de todo o ganha-pães que o falaz Dan Brown espremeu da acne que alguns chamam de cérebro, antes de todo o sobe-nas-tamancas que os cristãos-religiosos desempenharam (dia desses você entende que cristianismo tem pouco de religião, e que mais do que isso nalguma coisa, é tudo, menos cristianismo), antes de todos os tiritares (ou titilares) do conspiracionismo cagão, o homem vitruviano é uma resposta de um cara que dominava o ofício do desenho para um desafio matemático, como aquele, a “conjectura Poincaré”, pela qual recentemente o russo Gregori Perelman seria premiado com Medalha Fields (
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u15058.shtml).

O enigma não era contemporâneo ao “decifra-me ou te devoro”, mas em relação ao Da Vinci também era mezzo vetusto; tinha pelo menos 1500 anos. Formulado na época pelo arquiteto grego Marcus Vitruvius Pollio ( séc. I a.C.), que influenciou a arquitetura da Idade-média, mais especificamente as igrejas da época, que receberam influência das basílicas e templos do arquiteto. Cogita-se que um certo esquecimento da obra de Vitruvius se deu na Idade-média pela falta de formação acadêmica (sempre a maledeta) por parte dos arquitetos da época; a arquitetura era tida como uma espécie de artesanato, por ser apreendida pela instrução de arquitetos experientes. Outra possibilidade é que, com o advento da arquitetura gótica, por não apresentar instruções para abóbadas e arcos em seus textos, Vitruvius tenha sido ligeiramente esquecido.

No referente às informações vitruvianas sobre templos, havia um ponto que afirmava que templos deveriam ser erguidos baseados nas proporções humanas, já que este ser é detentor de proporções divinas. Era necessário, entretanto, que este homem fosse um em determinado; as proporções diferem de um ser humano para outro e variam por influência de postura, patologia, e outros hábitos; era preciso considerar um homem-modelo no qual as proporções adequadas figurassem:

° Face - da ponta do queixo ao topo da testa: 1/10 da altura do corpo;
° Palma da mão - do pulso ao topo do dedo médio: 1/10 da altura do corpo;
° Cabeça - do queixo ao topo: 1/8 da altura do corpo;
° Base do pescoço às raízes do cabelo: 1/6 da altura do corpo;
° Meio do peito ao topo da cabeça: 1/4 da altura do corpo;
° Pé: 1/6 da altura do corpo;
° Largura do peito: 1/4 da altura do corpo;
° Largura da palma da mão: quatro dedos;
° Largura dos braços abertos: altura do corpo;
° Umbigo: centro exato do corpo;
° Base do queixo à base das narinas: 1/3 da face;
° Nariz - da base às sobrancelhas: 1/3 da face;
° Orelha: 1/3 da face;
° Testa: 1/3 da face.

Não bastando a meticulosidade das exigências anteriores, o corpo desse homem-modelo, o quem-me-dera das bibas enrustidas arianas, deveria estar contido nas duas formas geométricas perfeitas, a do círculo e a do quadrado, com os braços e pernas estendidos. Melhor que passatempo Coquetel, não?

Por 150 séculos ninguém fez conta do mistério vitruviano, até a retomada da influência greco-romana na Renascença. Com isso o enigma voltou à moda e os inveterados por Sudoku (ponto cardeal para indicar os pés) da época notaram que a maior complicação não eram as proporções, mas aplicar o uomo perfetto às formas geométricas.

Até Leonardo as bizarrias pictóricas eram em nome do enigma vitruviano; alguns aventureiros centralizavam tanto o quadrado como o círculo num mesmo ponto, o resultado era um frankestein com o tronco do ET e membros do Rodolfo (lembra deles?), apto a praticar tênis enquanto esquia na neve, sem nenhum aparato.

O que todo participante abestado (salve, Tiririca) de American Inventor deveria aprender antes de sua estultícia mata-lo, foi o que Da Vinci tinha e pelo que já era famigerado há muito: encarar um problema aparentemente sem solução por uma outra via, de uma outra perspectiva (a cartilha básica de todo publicitário criativo ou profissional que faz uso intenso da criatividade); a merda na estrada, não é só bosta, pode ser um rico reino de bactérias, pode ser um DVD abandonado do filme de 2006 e/ou 2008 de Ron Howard.

Tambores rufando: Ao invés de centralizar quadrado e círculo, Leonardo encontrou a solução do enigma vitruviano posicionando ambas as formas na mesma base. O passo seguinte foi desenhar o homem-modelo nas proporções do enigma. Com isso ele comprovou que a altura do corpo da figura vitruviana é igual à largura dos braços abertos, e se adequava perfeitamente a um quadrado. Os braços erguidos ao nível do topo da cabeça tocam o círculo e o mesmo acontece com as pernas abertas. Pernas fechadas e braços estendidos tocam o quadrado, formando: o primeiro com o topo da cabeça, a altura do quadrado; o segundo, pela envergadura braçal, a largura do quadrado.
Importa observar também que a área total do círculo é a mesma que a área total do quadrado.
A ilustração de Da Vinci pode ser interpretada também pelo escopo matemático: a figura é um algoritmo matemático pelo qual se calcula o valor do número irracional "phi" (1,618); ou seja, se você tem a área matemática do cérebro esquisita como a minha, e ainda assim quer se meter com cálculos, Da Vinci te deu uma mãozinha. O desenho também pode ser visto em última análise como um símbolo da simetria básica do corpo humano e da relação desta com o universo.

As idéias de proporção vitruviana, também pela contribuição de Da Vinci, influenciaram muito da história da arte. Na pintura, gerando um ideal figurativo de perfeição, e na arquitetura; na Renascença pintores acumulavam as funções de arquitetos, engenheiros e sabe-se lá mais o que (alguns gostam de afirmar que também sobrava tempo pra uma cervejinha com a sociedade secreta), com isso dá pra adivinhar onde iam parar as idéias: em tudo que é construção que influenciou a arquitetura de toda Europa ocidental.

O papo de pentagrama e outras coisas escondidas veio bem depois, quando Leonardo Da Vinci já havia tornado ao pó. Se bem que no caso dos suspostos escondidos, havia sim gente que não perdeu muito tempo em se aproveitar do desenho davinciano. A coisa veio por intermédio de nefelibatas, ocultistas, paranóicos e oportunistas que, ao invés de olhar para as fezes de uma outra perspectiva, viam excremento em todas as perspectivas.g


As últimas ilustrações são de um livro chamado "De Philosophia Occulta" (Livro II, Cáp. 27 - Paris, 1531), de um autor renascentista de nome Heinrich Cornelius Agrippa von Nettesheim (1486-1535. http://pt.wikipedia.org/wiki/Heinrich_Cornelius_Agrippa_von_Nettesheim), mago, astrólogo, alquimista e escritor de ocultismo. Essas sim são ilustrações com teor ocultista, que por mais que pareça seguir o enigma vitruviano, não o fazem, mas talvez sofram influência ou se inspirem - Da Vinci nasceu em 1452 e morreu em 1519, é possível que tenha sido capaz de mais um feito: influenciar muito rapidamente sua própria época, levando-se em conta que fama e obras não se propagavam com a velocidade de hoje. E claro, não eram feitas pra durar 5 minutos.


Texto reinterpretado do blog http://dwd3.blogspot.com/2007_01_01_archive.html e acrescido de muita coisa na web e de conhecimentos pessoais. Também http://pt.wikipedia.org/wiki/Leonardo_da_Vinci

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Pela ordem - 1

Dos filmes aqui da Mostra de SBC, os que mais apreciei foram, pela ordem:
1 - "Reis e Rainha", junto de "Caché";
2 - "Volver";
3 - "O Homem Urso";
4 - "A criança";
5 - "C.R.A.Z.Y. – Loucos de Amor";
6 - "Uma verdade inconveniente";
7 - "A grande viagem", junto de "Conversando com mamãe" (que não vi por falta de ânimo);
8 - "Chunhyang – o amor proibido", junto de "Banhos" (que não vi por achar sacanagem programarem um filme de 2000 e outro de 1999, sendo a Mostra 2007 - que tirassem um dia da programação, mas não, nossos trocados valem muito);
9 - "Querida Wendy" (melhor seria não ter visto).g

Depois concluo o post, com comentários decentes.

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Mostra Internacional de Cinema de SBC 2007

No TEATRO CACILDA BECKER – Praça Samuel Sabatini – Paço Municipal – Tel.: 4348-1081– Ingressos: R$ 4,00 e R$ 2,00 (estudantes e pessoas com 60 anos ou mais).

Vai começar de novo. De novo vou tentar ir em tudo – até mesmo em “Querida Wendy” e nos filmes meio veios, que nem do ano passado são. De novo vou falar do preço (não vou reclamar do preço baixo, que parece invejar o do CCBB – e queira Deus que se for invejar algo inveje apenas o preço): Mas cá entre nós, num país que vive com inflação baixa e vive elevando preços como nos tempos de alta inflacionária, mas querendo passar a impressão via a alegação de que a culpa das altas são outras coisas, como no caso das chuvas acabando com as colheitas e outros blábláblás, até mesmo um órgão público acha corriqueiro viver numa dimensão paralela do país, no que tange a preços? Me refiro a seguinte matemática: no ano passado o ingresso era 3,00 paus, nesse ano é 4,00. Dá uns 30% de aumento, se não me engano. A inflação anual de 2006 ficou por volta dos 3%. Quer dizer, acompanhando a inflação anual essa entrada deveria ser uns R$3,10 hoje. Tudo bem, a entrada ainda continua barata, pode ser que eles tiveram que aumentar porque os distribuidores deles também aumentaram os preços, pode ser encanação minha, pode ser melhor você esquecer esse primeiro parágrafo e passar para o que interessa logo abaixo.

“De 18 de janeiro a 25 de fevereiro, a Secretaria de Educação e Cultura da Prefeitura de São Bernardo do Campo, por meio do Departamento de Ações Culturais, promove o ciclo Cinema Internacional em São Bernardo no Teatro Cacilda Becker. Ao todo, serão exibidos 12 filmes, dois títulos por semana, de quinta a domingo, em um caleidoscópio do que se faz de melhor na sétima arte, uma vez que são produções de diversos países, como França, Argentina, Espanha e China, entre outros. Os ingressos custam R$ 4,00, sendo que estudantes e pessoas com 60 anos ou mais pagam R$ 2,00.A mostra começa com o filme A Grande Viagem, do diretor Ismaël Ferroukhi, que retrata a longa viagem de pai e filho à sagrada cidade muçulmana de Meca, durante a qual ambos passarão a se conhecer melhor. Ainda na primeira semana, será exibido o filme argentino Conversando com Mamãe, de Santiago Carlos Oves, que traz a história de um filho que passa por sérios problemas financeiros e resolve vender a casa onde vive sua mãe, com quem não conversa há tempos.Confira a seguir a programação do ciclo Cinema Internacional em São Bernardo e não deixe de aproveitar.”

c A GRANDE VIAGEM (França/Marrocos – 2004) – 108 min. Homem idoso descobre que lhe restam poucos dias de vida e decide realizar o sonho de fazer a peregrinação a Meca, cidade sagrada muçulmana. Quem tem a incumbência de levá-lo é seu filho, um jovem que vive no sul da França e não tem muito contato com ele. Durante a longa viagem, que atravessa diversos países, eles passarão a se conhecer melhor. Produção: França/Marrocos. Direção: Ismaël Ferroukhi. Com Nicolas Cazalé e Mohamed Majd. Recomendação etária: 12 anos.
= Dia 18/jan quinta: 20h - Dia 20/jan sábado: 20h - Dia 21/jan domingo: 16h
CRÍTICA:
http://www.cranik.com/agrandeviagem.html

c CONVERSANDO COM MAMÃE (Argentina – 2004) – 80 min. Despedido da empresa em que trabalhava, Jaime se vê em uma crise financeira. Resolve então vender o apartamento onde mora sua mãe e trazê-la para morar consigo, mas ao procurá-la para informar seus planos, surpreende-se com sua resistência em se mudar e o fato dela ter um namorado. Produção: Argentina. Direção: Santiago Carlos Oves. Com Eduardo Blanco, China Zorrilla e Ulises Dumont. Recomendação etária: 12 anos.
= Dia 19/jan sexta: 20h - Dia 20/jan sábado: 16h - Dia 21/jan domingo: 19h
CRÍTICAS:
http://www.criticos.com.br/new/artigos/critica_interna.asp?secoes=&artigo=877
http://www.eca.usp.br/gestcom/aton_est/trabest16/trabestp2.asp?alunid=21

c REIS E RAINHA (França – 2004) – 150 min. Diretora de uma galeria de arte está prestes a se casar pela terceira vez, acreditando que desta vez finalmente encontrou o homem certo. Ao descobrir que seu pai está doente, ela pede ajuda a um ex-amante, que concorda em ajudá-la visando fugir de iminente internação em hospital psiquiátrico. Produção: França. Direção: Arnauld Desplechin. Com Catherine Deneuve, Emmanuelle Devos e Mathieu Amalric. Recomendação etária: 14 anos.
= Dia 25/jan quinta: 20h - Dia 27/jan sábado: 20h - Dia 28/jan domingo: 16h
CRÍTICAS:
http://www.contracampo.com.br/75/reiserainha.htm
http://www.zetafilmes.com.br/criticas/reiserainha.asp?pag=reiserainha

c QUERIDA WENDY (Dinamarca/França/Alemanha/Inglaterra – 2005) – 101 min. Jovem habitante da pequena cidade americana de Estherslope fascina-se por uma pistola, batizando-a de Wendy. Convence outros garotos a fundar um clube secreto baseado nos princípios do pacifismo e da posse de armas, mas uma situação colocará em xeque o cumprimento das regras. Produção: Dinamarca/França/Alemanha/Inglaterra. Direção: Thomas Vintenberg. Com Jamie Bell, Bill Pullman, Michael Angarano. Recomendação etária: 14 anos.
= Dia 26/jan sexta: 20h - Dia 27/jan sábado: 16h - Dia 28/jan domingo: 19h
CRÍTICAS:
http://www.contracampo.com.br/75/dearwendy.htm
http://www.criticos.com.br/new/artigos/critica_interna.asp?secoes=1&artigo=939

c CHUNHYANG – O AMOR PROIBIDO (Coréia do Sul – 2000) – 133 min. Na Coréia do final do século 17, filho de governador local prepara-se para ir à capital completar seus estudos e se tornar oficial. Porém, antes de partir, ele se apaixona por uma bela filha de uma cortesã, com quem se casa em segredo. Enquanto está fora, a amada é condenada à morte por um novo governador e somente o jovem pode salvá-la. Produção: Coréia do Sul. Direção: Im Kwon Taek. Com Lee Hyo-Jeong, Cho Seung-Woo.
= Dia 1/fev quinta: 20h - Dia 3/fev sábado: 20h - Dia 4/fev domingo: 16h
CRÍTICAS:
http://www.contracampo.com.br/79/chunhyang.htm
http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/chunhyang/chunhyang.asp

c A CRIANÇA (Bélgica/França – 2005) – 95 min. Jovem de 18 anos acaba de dar à luz a um menino, cujo pai, dois anos mais velho, vive de pequenos roubos. Ambos possuem visões bastante diferentes sobre o que representa o nascimento do bebê, ainda mais porque os atos do jovem pai em relação ao filho criam sérios dilemas existenciais para o casal. Produção: Bélgica/França. Direção: Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne. Com Jérémie Renier e Débora François. Recomendação etária: 12 anos.
= Dia 2/fev sexta: 20h - Dia 3/fev sábado: 16h - Dia 4/fev domingo: 19h
CRÍTICAS:
http://www.revistacinetica.com.br/acrianca.htm
http://contracampo.com.br/80/lenfant.htm

c BANHOS (China – 1999) – 92 min. Abandonado pelo filho mais velho, que foi para outra cidade tentar melhor sorte, pai de família fica em Pequim cuidando do filho retardado e exercendo a profissão de mestre de uma casa de banho. Acreditando que o pai tinha morrido, o filho mais velho volta para a capital chinesa e descobre a importância da casa de banho para a comunidade. Produção: China. Direção: Zhang Yang. Com Jiang Wu, Pu Quanxin, Zhu Xu. Recomendação etária: 16 anos.
= Dia 8/fev quinta: 20h - Dia 10/fev sábado: 20h - Dia 11/fev domingo: 16h
CRÍTICAS:
http://www.contracampo.com.br/22/banhos.htm
http://www.zetafilmes.com.br/criticas/banhos.asp?pag=banhos

c O HOMEM URSO (EUA – 2005) – 100 min. Documentário que acompanha a vida e a morte de Timothy Treadwell, ecologista e especialista em ursos, que foi ao Alasca por treze verões consecutivos para viver desarmado entre esses animais, documentando a viagem com uma câmera nas últimas cinco vezes. O diretor usa as filmagens feitas pelo ecologista, morto por um urso, para entender a difícil relação entre homem e natureza. Produção: EUA. Direção: Werner Herzog. Recomendação etária: 12 anos.
= Dia 9/fev sexta: 20h - Dia 10/fev sábado: 16h - Dia 11/fev domingo: 19h
CRÍTICAS:
http://www.cinemacomrapadura.com.br/criticas/?id_critica=644
http://www.revistacinetica.com.br/ursopaulo.htm
http://www.criticos.com.br/new/artigos/critica_interna.asp?secoes=1&artigo=1013

c UMA VERDADE INCONVENIENTE (EUA – 2006) – 100 min. Documentário no qual o ex-vice-presidente dos EUA apresenta uma análise minuciosa sobre o aquecimento global, abordando os mitos e equívocos existentes a respeito do assunto, além de propor possíveis saídas para que o planeta não seja vítima de grandes catástrofes climáticas nas próximas décadas. Produção: EUA. Direção: Davis Guggenheim. Com Al Gore. Recomendação etária: 12 anos.
= Dia 15/fev quinta: 20h - Dia 17/fev sábado: 20h - Dia 18/fev domingo: 16h
CRÍTICA:
http://www.contracampo.com.br/83/mostraumaverdadeinconveniente.htm
http://www.cinemacomrapadura.com.br/filmes/?id_filme=2821

c CACHÉ (França/Áustria/Alemanha/Itália – 2005) – 117 min. Casal recebe uma fita de vídeo com imagens de sua casa, feitas por uma câmera instalada na rua, e depois passa a receber desenhos sinistros. Na busca pelo autor das misteriosas ameaças à paz da família, Georges e Anne notam que o perseguidor conhece muita coisa do passado, mais do que poderiam esperar. Produção: França/Áustria/Alemanha/Itália. Direção: Michael Haneke. Com Daniel Auteuil e Juliette Binoche. Recomendação etária: 16 anos.
= Dia 16/fev sexta: 20h - Dia 17/fev sábado: 16h - Dia 18/fev domingo: 19h
CRÍTICAS:
http://www.revistacinetica.com.br/cachemecchi.htm
http://www.contracampo.com.br/75/cache.htm

c VOLVER (Espanha – 2006) – 121 min. Raimunda tem um marido desempregado e uma filha adolescente. Sua irmã Sole é cabeleireira e vive sozinha desde que o marido a abandonou. Após a morte da tia Paula, as duas irmãs tentam ajudar a filha de Raimunda, que matou o pai quando este tentou abusar dela. E as duas vão ter o conforto do espírito da mãe. Produção: Espanha. Direção: Pedro Almodóvar. Com Penélope Cruz, Carmen Maura, Lola Dueñas e Yohana Cobo. Recomendação etária: 14 anos.
= Dia 22/fev quinta: 20h - Dia 24/fev sábado: 20h - Dia 25/fev domingo: 16h
CRÍTICAS:
http://www.revistacinetica.com.br/volvercartaz.htm
http://www.contracampo.com.br/82/festvolver.htm
http://www.criticos.com.br/new/artigos/critica_interna.asp?secoes=1&artigo=1113

c C.R.A.Z.Y. – LOUCOS DE AMOR (Canadá – 2005) – 127 min. O filme acompanha a trajetória de Zachary, o quarto dos cinco filhos de uma família conservadora de classe média canadense, do nascimento à adolescência, quando surgem dúvidas a respeito de sua própria sexualidade. Inicialmente vem a negação, mas a maturidade chega com uma libertadora viagem mística por Jerusalém. Produção: Canadá. Direção: Jean-Marc Vallée. Com Michel Côté, Danielle Prouix, Marc-André Grondin. Recomendação etária: 16 anos.
= Dia 23/fev sexta: 20h - Dia 24/fev sábado: 16h - Dia 25/fev domingo: 19h
CRÍTICAS:
http://www.contracampo.com.br/82/festcrazy.htm
http://www.criticos.com.br/new/artigos/critica_interna.asp?secoes=1&artigo=1087

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Sham 69 - If The Kids Are United



Banda que reúne sob o mesmo gosto grupos inimigos. E, bem, pense o que quiser sobre essa situação. O que importa é que é uma música genial, de uma época em que músicas punk eram rock 'n roll genuíno, feitas pra multidões cantarem junto sob um objetivo comum (tem até um ar das músicas que as torcidas em estádio de futebol cantam pelo seu time - não é a toa que o Cockeney Rejects e outro bolo de bandas boas se valeram muito bem da idéia). Hoje, muito das músicas que a molecada quer que seja punk, pega o caminho inverso; cada vez menos rock' n roll, cada um cantando seus próprios sentimentalismos, sem a menor unidade, a não ser pela constatação de que surgem dois grupos involuntários: um maior, de individuos espectadores, e outro menor, de individuos no palco.

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

“Efeito borboleta (The butterfly effect – EUA – 2004)"


“O acaso é, talvez, o pseudônimo de Deus, quando não deseja assinar.”
Theophile Gautier

Quando Evan Treborn era garoto seu médico recomendou que ele registrasse em diário os momentos da vida. Era uma medida contra insistentes lapsos de memória atribuídos a uma misteriosa doença.

Da infância até a o ínício da maturidade Evan teve uma vida de superação e nela os diários desempenharam importante papel. Os diários sempre estiveram com ele, mas depois de seis anos sem nenhum lapso, Evan se dá conta de que não se lembra claramente de um certo fato.

Ele recorre então a pessoas de seu passado para estabelecer esse ponto na memória, mas o remexer nos fatos mais antigos desencadeia uma tragédia que faz com que Evan mergulhe em seus diários em busca da resposta.

O mergulhar nas memórias desencadeia o impensado e agora o que resta a Evan é apenas busca em meio ao caos.

Essa na verdade é a primeira porção que se segue depois dos dizeres “Algo tão pequeno como uma borboleta pode causar um tufão do outro lado do mundo.”, pinçado da Teoria do Caos de Edward Lorenz pelos roteiristas e diretores Eric Bress e J. Mackye Gruber, roteiristas de “Premonição 2 (Final destination 2 – EUA – 2003)”, no filme “Efeito borboleta (The butterfly effect – EUA – 2004).

Muita gente viu e gostou. A crítica não detestou e viu até um interesse no modo como se trabalha a questão da perda de memória, por isso conseguiu traçar certa identificação com os cineastas pelos quais a língua da crítica vive cada vez mais engatilhada pra disparar “Gênio!”.

Não se pode negar que o filme chama a atenção em alguns aspectos, e que agrada a quem nunca viu ou se desacostumou a aparentes ousadias no roteiro. Mas é um filme que não se arrisca a muita coisa. Se há um cuidado ali é de seguir o sacrossanto roteiro; trabalhar cenas, elenco, fotografia, som só é prioridade num nível de obediência ao roteiro, à deusa estória. Fora o roteiro, tudo é risco. O básico é que é confortável. Pena não ter cinto de segurança quando se caminha pela rua.

A realização se dá num beabá cinematográfico, e isso é bom para os realizadores, pois previne o filme de soar tatibitante. Ele é seguro e quem é espectador pode ver tranqüilo, pois não requer formação um pouco mais aprofundada em audiovisual. É assim para não gerar nenhum empecilho para a boa compreensão do roteiro, o cofre do valioso tesouro que chamam de estória.

Valioso por que é na estória, ou melhor, em quão imaginativa ela pode ser, é que os grandes estúdios de Holywood vêem uma tábua de salvação para seus negócios, e se essa tábua der ao público o que ele almeja, melhor tábua será.

Esse novo cinema que vem surgindo em Holywood, em que parte da matéria-prima cheira a teen, visa um público que é visto como tendo a necessidade de uma nova educação cinematográfica, o mesmo que vai consumir a criativa Holywood daqui a alguns anos. Indústria que conforme a visão de seus patriarcas, para assegurar seu futuro, precisa transpirar criatividade em tudo, na técnica, mas principalmente no roteiro, que deve conter tudo o que há de melhor direto das sessões de brainstorm. O filme holywoodiano é desde já aquele que impõe a ordem sobre o caótico universo das idéias, e, portanto, onde a ilusão da imaginação que é fértil, e por isso inteligente, atua cada vez mais intensamente.

Reflexo involuntário do que Holywood aspira para seu futuro, e desse jeito de si mesmo, é também no que resulta “Efeito borboleta”.

“Efeito borboleta” quer ter um caráter de protótipo. Protótipos são concebidos no campo dos projetos, são pensados como modelos que originarão outros, e por isso possuem sobre si muito mais carga intelectual que os que dele derivam. Ainda que não exista muita separação entre teoria e prática, pode-se dizer que ele tem muito mais de teoria do que de prática. Não é estranho que o filme seja todo apoiado na porção projeto do cinema e na Teoria do Caos.

A Teoria do Caos de Edward Lorenz trata da previsão matemática do acaso, pela ação e a interação de inúmeros elementos de forma aleatória. O filme optou pela parte inicial da teoria, o tal Efeito Borboleta de onde vem o título do filme, e que se refere à impossibilidade de uma previsão perfeita.

O filme até ganha um alargamento quando se visita o conteúdo incial da teoria de Lorenz, pois as ações de Evan ganham a justificativa de que, sob o comando de alguém humano, incapaz de prever completamente o efeito de suas ações, as constantes intervenções na realidade se tornam pertinentes.

Por outro lado, o filme, ao optar por evitar a incorporação do randômico e do acaso presentes no restante da teoria, sempre próximos das ações humanas – e que provocam efeitos que escapam ao controle pela simples incapacidade humana de monitorar o todo – confere ao protogonista um aspecto também divino que por várias vezes sobrepõe o humano. É com se Evan fosse um deus desprovido de ubiquidade e com onisciência defeituosa; ele pode tudo, mas seu motor é o desejo e a teimosia.

Evan, como deus defeituoso, se coloca acima do acaso. E ignorando o acaso se diz humano quando todas as suas ações se assemelham à divinas, e vice-versa. Como essa não é uma ocilação que contribui para o personagem, pois um olhar mais acurado vai sempre perceber que há algo em descompasso (a atenção do espectador é presa no filme apenas porque nem ele nem Evan conseguem antecipar as características da próxima alteração de realidade), o resultado não é outro se não um constante tom de absurdo desde que Evan descobre do que é capaz.

Em “Efeito borboleta” o absurdo pende para o ridículo, não para o fantástico, que se aliementa da realidade; o absurdo precisa estar acima da realidade.

Este absurdo que salta aos olhos vai desde a insatisfação egoísta do que acontece ao eu do protagonista, até a insatisfação em relação ao outro. E entre os dois pólos está: à mulher desejada por todos num ambiente de aceitação moral promove amor, num ambiente de recriminação moral promove lamento e degradação; a rejeição de amizades que não se emparelham ao ideal de socialmente aceito ou flertam com ou se insiram no marginal; na realidade desejada e a todo custo buscada o eu do protagonista não cabe doente, mutilado, louco, mas pode se acostumar e entender como normais certas prerrogativas de posição quando aprecia esta; o sacrifício do que o protagonista ama, em nome do bem do que ama, mas sem sofrimento profundo, pois o sofrimento de verniz altruísta dele ao menos lhe traz uma recompensa. Ou seja, depois que a guerra acabar e o mundo for nosso, todos reconhecerão o valor dos campos de concentração – diria Evan se num filme ambientado na Segunda Guerra.

A jornada do herói-tiranete Evan está imersa no contraste que anda de mãos dadas com o repúdio a tudo o que é externo – repúdio a tudo e todos até que Evan estabeleça sua vontade. Nesse contraste em que o protagonista é perfeito e o resto não, o exterior é lugar impuro e precisa urgentemente de mudança, mas esta só pode vir através do interior de Evan, em que ele mesmo é o agente da mudança. Nada serve, a não ser o protagonista.

Olhando Evan do lado de fora de sua mente, tudo em “Efeito borboleta” assume uma outra configuração, da mesma maneira que a concepção de mundo de Evan é invertida. Fora dessa ficção labiríntica que a todo o tempo seduz (chantageia?) o espectador com a saída, aqui no dia-a-dia da vida dos espectadores, as coisas acontecem diferente. Não me refiro ao fato de ninguém ter o poder sobrenatural de Evan.

Fora do filme o que ocorre é que, se há algo na realidade do ser humano que o desagrada, ele interioriza o problema, gesta idéias e depois age. Isto é, a mudança tem início interiormente, para depois atingir a realidade pelos atos, e aí sim verificar a mudança na realidade.

Em “Efeito borboleta” protagonista e filme entendem por ação tudo o que acontece internamente, seja no campo das memórias ou do desejo, e isso basta para afetar a realidade externa, entendendo ser mais do que suficiente para tudo apenas a ação inicial interna.

Segundo o filme é bem possível que as próximas revoluções no mundo se dariam assim: cada pessoa agindo em si mesma, só em si, e ainda que façam pelos demais apenas o que cada uma considera o melhor, o que importa mesmo é que cada um está fazendo algo por alguém. E isso já bastaria.

Tudo isso também explicaria o fato de muita gente ter apreciado um filme cinematograficamente médio, problemático nas posturas diante das questões que suscita. Problemático, pois uma vez detectada uma característica letárgica, digamos, em seu público, fez dela trampolim para a aceitação do filme e deste apenas mais um produto holywoodiano em que espectador é público-alvo, desde o início da realização fílmica.

Reflexo involuntário do que muita gente deseja intimamente, e que expõe uma falsa idéia e uma preguiça em relação ao que se refere à atividade transformadora, é também no que resulta “Efeito borboleta”.

Um filme que abriga um ponto de ancoragem e identificação para uma faceta burra da sociedade, ponto que se mascara de ação altruísta, e que ao mesmo tempo é um termômetro de insensibilidade e estupidez dela.g


Sobre Teoria do Caos e Efeito Borboleta:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_do_caos
http://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_do_Caos#Efeito_Borboleta
http://pt.wikipedia.org/wiki/Efeito_borboleta
Site do filme:
http://www.butterflyeffectmovie.com/2003/
Algumas outras visões e opiniões:
http://www.contracampo.com.br/62/brilhoborboleta.htm
http://cinediario.blogspot.com/2004_07_01_cinediario_archive.html
http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/efeito-borboleta/efeito-borboleta.asp

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Xavier+Glauber

“No universo de Glauber, as qualidades do intelectual não estão nas disciplinas do organizador ou na paciência do pedagogo sempre disposto a esclarecer pelo verbo. Estão na coragem da agressão que gera catarse pela violência, que trabalha o inconsciente. Nesse espaço da agressão move-se Paulo Martins. E é nítida a extensão do seu papel no intelectual provocador de Câncer, cujo deboche leva o oprimido à exasperação e à revolta.”

Ismail Xavier, em Glauber Rocha: o desejo da história, no livro Cinema brasileiro moderno.

Ismail Xavier, Glauber Rocha, Glauce Rocha e Jardel Filho,
o Paulo Martins de Terra em transe

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

Justapondo – 1

Na tarde de domingo (1 de outubro de 2006) a TV Cultura exibia a reprise de seu programa Vitrine, quando lá pelas tantas, numa das partes da entrevista com o cineasta/crítico político Arnaldo Jabor, este começa a tecer suas considerações sobre Rio de Janeiro e São Paulo. A coisa saiu mais ou menos assim: “Na verdade o carioca é que é otário. O paulista é o esperto. Como escreveu tal cara*, no Rio a burguesia foi substituída pela boemia; em São Paulo a burguesia deu lugar ao proletariado. Aqui em São Paulo se exige muito mais do cidadão, se aprende muito mais. No Rio, tem o que? Uma indústriazinha fraca, carnaval (...).”.

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Na noite de domingo (1 de outubro de 2006), madrugada iniciando, mais um daqueles boletins de apuração das eleições da TV Globo (que começaram logo depois do término das votações, e passavam uma afobação enervante em se saber os resultados. A freqüência de interrupções na programação deu a entender que nosso ver televisão estava gago ou tatibitante – a cada 3 ou 4% de apuração uma nova interrupção): “Os 4 candidatos a deputado federal mais votados em São Paulo foram: Paulo Maluf - PP (
http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/2006/eleicoes/candidatos-deputado_federal-sp-1111.shtml e veja no último), Celso Russomanno - PP(http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/2006/eleicoes/candidatos-deputado_federal-sp-1188.shtml e veja no último), Clodovil - PTC(http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/2006/eleicoes/candidatos-deputado_federal-sp-3611.shtml e http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u84499.shtml), Enéas – PRONA(http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/2006/eleicoes/candidatos-deputado_federal-sp-5656.shtml e veja no último).”

Mais informações importantes sobre o quarteto: http://perfil.transparencia.org.br g

*Essa falha é minha mesmo, que se esqueceu do nome do escritor – doações de Fosfosol são aceitas.
OBS: A adição dos links também é minha. Nenhuma das transmissões citou-os.

quarta-feira, 27 de setembro de 2006

25a Mostra de Cinema Brasileiro em São Bernardo do Campo

A Secretaria de Cultura de São Bernardo do Campo vem com mais uma Mostra de Cinema Brasileiro na cidade. Nesta 25ª edição, que vai de 28 de setembro a 29 de outubro, ficaram de fora filmes importantes como "Crime delicado", "Árido movie", “A concepção” e outros que certamente despertariam interesse maior que “2 filhos de Francisco” e “O coronel e o lobisomem” – que gente pra caramba já viu, e por causa de seus montes de cópias para cinema e altas vendas em DVD poderiam muito bem ceder lugar para filmes que o público tem menos acesso. Mas fazer o que se a Secretaria de Cultura quer caçar seus níqueis a custa de migalhas?

O ingresso custa R$ 3,00 e é grátis para maiores de 50 anos. Os horários estão aí embaixo, mas não custa lembrar que cada um dos filmes tem 3 seções, na quinta ou na sexta, e depois no sábado e no domingo. As exibições acontecem no Teatro Cacilda Becker no Paço Municipal, Praça Samuel Sabatini. São Bernardo do Campo / SP Telefone: (11) 4348-1081.

Setembro

BOLEIROS 2 – VENCEDORES E VENCIDOS (2006) – 86 min
28 quinta 20h, 30 sábado 20h, 1/out domingo 16h
Classificação indicativa: 12 anos.
Antecedendo cada exibição deste filme, o curta-metragem FUTEBOLISTICAMENTE, ficção de 13 minutos com direção de Daniel Boesel Lopes e Rodolfo Monteiro Pelegrin.
Críticas:
http://revistacinetica.com.br/boleiros2.htm
www.cineimperfeito.com.br/emcartaz.asp?pag=1&id=443

TAPETE VERMELHO (2006) – 100 min
29 sexta 20h, 30 sábado 16h, 1/out domingo 20h
Classificação indicativa: 12 anos
Antecedendo cada exibição deste filme, o curta-metragem DOIS TONS, ficção de 16 minutos com direção de Caetano Gottardi.
Críticas:
http://www.contracampo.com.br/79/tapetevermelho.htm
http://revistacinetica.com.br/tapetevermelho.htm

Outubro

BENDITO FRUTO (2004) – 90 min
5 quinta 20h, 7 sábado 20h, 8 domingo 16h
Classificação indicativa: 12 anos.
Antecedendo cada exibição deste filme, o curta-metragem ALICE, de Rafael Gomes.
Crítica:
http://www.contracampo.com.br/71/benditofruto.htm

O FIM E O PRINCÍPIO (2005) – 110 min
6 sexta 20h, 7 sábado 16h, 8 domingo 20h
Classificação indicativa: 12 anos.
Antecedendo cada exibição deste filme, o curta-metragem ÍMPAR PAR, de Esmir Filho.
Crítica:
http://www.contracampo.com.br/77/ofimeoprincipio.htm

CIDADE BAIXA (2005) – 93 min
12 quinta 20h, 14 sábado 20h, 15 domingo 16h
Classificação indicativa: 18 anos.
Antecedendo cada exibição deste filme, o curta-metragem EU TE DAREI O CÉU, de Afonso Poyart.
Crítica:
http://www.contracampo.com.br/75/criticacidadebaixa.htm

2 FILHOS DE FRANCISCO (2005) – 132 min
13 sexta 20h, 14 sábado 16h, 15 domingo 20h
Classificação indicativa: 12 anos.
Antecedendo cada exibição deste filme, o curta-metragem GASOLINA COMUM, de Marcelo "Tintin" Trotta.
Críticas:
http://www.contracampo.com.br/74/2filhos2.htm
http://www.contracampo.com.br/74/filhosdefrancisco.htm

A PESSOA É PARA O QUE NASCE (2004) – 84 min
19 quinta 20h, 21 sábado 20h, 22 domingo 16h
Classificação indicativa: 12 anos.
Antecedendo cada exibição deste filme, o curta-metragem HISTORIETAS ASSOMBRADAS (PARA CRIANÇAS MALCRIADAS), de Victor Hugo Borges.
Críticas:
http://www.contracampo.com.br/72/pessoaeextremosul.htm

VIDA DE MENINA (2004) – 101 min
20 sexta 20h, 21 sábado 16h, 22 domingo 20h
Classificação indicativa: 12 anos.
Antecedendo cada exibição deste filme, o curta-metragem A MENINA, O ESPANTALHO E O CURUPIRA, de Ric Oliveira e Clemie Blaud.
Crítica:
http://www.contracampo.com.br/64/vidademenina.htm

O CORONEL E O LOBISOMEM (2005) – 106 min
26 quinta 20h, 28 sábado 20h, 29 domingo 16h
Classificação indicativa: 12 anos.
Antecedendo cada exibição deste filme, o curta-metragem CURUPIRA, de Fábio Mendonça e Guilherme Ramalho.
Crítica:
http://www.contracampo.com.br/75/coronellobisomem.htm

CINEMA, ASPIRINAS E URUBUS (2005) – 90 min
27 sexta 20h, 28 sábado 16h, 29 domingo 20h
Classificação indicativa: 12 anos.
Antecedendo cada exibição deste filme, os curta-metragens 02.CONJUNTO RESIDENCIAL, de Adams Carvalho e Olívia Brenga, e LOOP LOOP, de Victor Hugo Borges.
Crítica:
http://www.contracampo.com.br/75/cinemaaspirinas.htm

terça-feira, 26 de setembro de 2006

As jóias da casa - 1


S. Fuller

G. Romero

D. Cronenberg


A. Ferrara

Blueberry de Moebius

Nas bancas e livrarias ainda é possível achar o retorno da publicação de "Blueberry" (Panini - R$ 22,90 - 100 pgs. - 20,5 x 27,5 cm).

A HQ é criação de Jean-Michel Charlier e Jean "Moebius" Giraud, e já tem mais de 40 anos. Acabou virando filme em 2004 (vivido no cinema por Vincent Cassel e dirigido por Jan Kounen). Estreou nas páginas do semanário Pilote (o mesmo de Asterix) e no começo, na segunda metade do século XIX, ele era apenas Mike Steve Donovan, filho de fazendeiros escravocratas plantadores de algodão na Geórgia, que acabou se tornando o Tenente Blueberry, um oficial vivido, malicioso, de moral oculta e heroísmos baseados em princípios próprios.

A nova primeira edição brasileira corresponde aos números 24 e 25 originalmente publicadas pela Dargaud (de 1995 e 1997, respectivamente), e são a primeira metade do oitavo ciclo de aventuras do protagonista. Aqui texto e arte são de Jean "Moebius" Giraud, motivo mais do que suficiente para desembolsar o preço nada convidativo da edição - e desgraçadamente amenizar um pouco o ultraje pelos 23 paus.

Moebius é gênio, mas talvez sua genialidade seja ainda um pouco ofuscada por intelectualóides que cismam em balizar HQ como arte menor (e que pensam formar a opinião de tudo e todos) e por aqueles que entendem os Comics como via única de HQ. Gente que ofusca a si mesmo. Gente que detesta concordar que há vida inteligente fora de seus círculos.

O fato é que esta edição traz a arte de Moebius em grande forma, e porque não inigualável; ela é detalhista e minuciosa. A decupagem é cuidadosa; ao mergulhar na obra não se fica com a sensação de que faltam cenas no fluir da narrativa e também não se corre o risco de perder-se durante a leitura; está tudo lá no seu devido lugar. Enfado só aparece fisicamente, e nos olhos; a obra não estimula o piscar deles e nem pausas na leitura.g

http://www.blueberry-lesite.com
http://www.texbr.com/blueberry/personagens/blueberry.htm
http://www.texbr.com/blueberry

Um destaque de texto

Uma coisa chama a atenção num bom texto que saiu no domingo (“A modelo, o papa e o lugar público” - 24/9/2006 - Aliás - J6 - O Estado de São Paulo - http://txt.estado.com.br/suplementos/ali/2006/09/24/ali-1.93.19.20060924.13.1.xml): Um destaque no corpo do texto que diz “Por sua natureza, o cristianismo está na origem do culto das imagens”.

Chama a atenção pela aparência de alfinetada por parte de quem escreveu (Stella Senra, doutora em ciências da informação pela Universidade de Paris 2 e autora de O Último Jornalista). Soa assim, pois num primeiro contato com o texto logo se percebe que é uma reflexão sobre a ambigüidade das imagens, que toma como oportunidade os casos do suposto vídeo-invasão do casal Cicarelli-Malzone e o mal-bem-entendido do atual papa.

Indo ao texto a estranheza quanto à frase em destaque não some. Não pelo destaque, mas porque ela ainda parece espremida pelo assunto em questão, como quando as mãos ensaboadas tentam espremer entre si um sabonete e ele pula.

Não é por se tratar dum assunto em que religião e papa figuram que qualquer frase sobre o que se figura serve bem para o que se discute. Caso contrário, discutir transubstanciação, trindade, ou a nacionalidade alemã teriam espaço garantido.

Mas o incômodo mesmo surge, porque a referida frase provoca o mesmo efeito que “o papa é alemão por isso vai provocar uma nova guerra mundial”, caso ela estivesse no texto e por causa de seu teor.
E aí se esbarra no seguinte: Ou quem escreveu fez referência a um outro autor, ou é uma opinião, ou é uma questão pessoal de ódio, ou uma constatação.

Se for referência, e o credito ao autor está ausente, então houve uma falha (ou intenção, podendo ser de outro; revisor, editor, ou sabe-se lá mais quem).

Se estiver como constatação, bem, todo mundo erra e também não existe um doutorado que aborde todas as categorias do conhecimento. Por isso talvez tenha lhe escapado que historicamente o cristianismo é totalmente avesso ao culto das imagens, idolatria, e que no proceder guia-se por fé e não pelo que se vê (II carta de Paulo aos Coríntios, segundo semestre do século 55, 56 ou 57 d.C.). Ignorar esta questão como sendo fundamental ao cristianismo não provoca sua anulação, mas explicita sim, uma situação altamente discutível daquele que adota essas práticas como inerentes ao cristianismo, quando elas não são. Trata-se da imagem ou ilusão de cristão que pessoas fazem de si mesmo quando na verdade estão distantes disso. Se a intenção da frase foi dizer do proceder de alguns cristãos ou de algumas pessoas que se dizem cristãs, isso realmente não fica claro pela frase, mas pode ficar claro por uma qualidade que o texto tem, embora essa frase ainda seja um corpo estranho.

Agora, se é uma opinião ou questão de ódio – bem, para não ficar alheio a uma das vias pela qual o texto passa – por mais erudição e por mais títulos que se tenha, todos temos nossos momentos de dogmatista, até mesmo possíveis detratores de um credo.g

Hillsong United + Diante do Trono (+ Renascer Praise) em SP


No sábado, 23 de Setembro de 2006, esteve se apresentando no Canindé, estádio da quase obituária Portuguesa, o Hillsong United. O Diante do Trono abriu o show, e ao final houve a participação especial do Renascer Praise. Todos bons músicos cristãos com diferentes características. A produção do evento ficou a cargo de Vision Produções e Rafael Reisman Produções.

Não sei ao certo quantas pessoas estiveram lá, (10, 15, 30 mil?), mas tenho achado a repercussão do show bem fraca para quem esperava muito e teve muito. Foi um show vigoroso em todos os termos. O público era bem eclético, bem de acordo com a musicalidade do evento.

Entretanto a organização do evento foi algo no mínimo patético. Para grande quantidade de pessoas esperadas era mais do que necessário os portões abrirem não apenas 2 horas antes do início, mas bem antes. Na hora do início do show 5 mil pessoas ainda estavam do lado de fora, e por isso, por ordem da polícia, o show não poderia iniciar enquanto todas ainda não entrassem. Resultado: 1 hora de atraso para o início (que prejudicou a esquisita participação especial do Renascer Praise, que tocou depois da atração principal para 2% do público).


E não foi apenas isso. O policiamento era escasso e só aumentou mais perto do horário do começo do show. Ou seja, por causa da fila tumultuada o trânsito na região onde os filhos de Deus estavam ficou um verdadeiro inferno. Até distribuição de santinhos de políticos apareceu – junto com o bio-horror Cronenberguiano Havanir Nimitz.

Há algum tempo atrás, na época de garoto, shows em estádios tinham filas bagunçadas por pouco tempo; a polícia chegava rapidamente e eficazmente endireitava a fila na base de cacetetadas em nossas joviais pernocas de molecada-de-jeans-e-camiseta-de-banda. E tudo ficava na santa paz.

A PM não gostava é do King Diamond.g