domingo, 12 de setembro de 2010
Chabrol se foi. Ironia da ironia.
Umas marolinhas de alguns meses atrás, se é que alguém quis se dar conta e percebeu-a:
"Nossa geração não pensava na carreira, queríamos criar obras. Não estou seguro de que hoje realmente se intente fazer cinema."
Antes:
"E porque me empenho em desmascarar a moral dúbia só poderia descobrir um psiquiatra".
Não que ele estivesse esquecido, mas fora a confetagem do "um dos fundadores da nouvelle vague", quiseram o que de Chabrol, a não ser um sutil aturar o velhinho depois de tanto tempo, pelo menos ele faz filme pra tchurma metida a cult (Les biches) ou uma veiaradinha?
"Nossa, que amargura" - luto da fina ironia e do suspense. A comédia do poder.
http://www.youtube.com/watch?v=cfKMixvLqE0&p=0B389E253672DE8F&playnext=1&index=31
http://www.youtube.com/watch?v=9He4z6lTTLQ
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
quarta-feira, 28 de julho de 2010
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Elixir contra calvície, direto do Velho Oeste
"Esses dias rolou lançamento de um produto de beleza bem diferente: aBeauty'in, nova marca da empresária Cristiana Arcangeli. O conceito é simples, mas mesmo assim, inovador: a beleza vem de dentro. Os produtos da Beauty`in são chamados de aliméticos: alimentos cosméticos, que tratam ao serem ingeridos!"
"Em forma de água saborizada (sem conservantes!) ou bala (de colágeno!) cada produto promete um benefício: purificar, energizar, fortalecer… A gente amou a novidade e estamos loucas pra experimentar!!"
Site do produto: http://www.beautyin.net.br
O Blog com a atrocidade aqui exibida: http://www.adorofarra.com.br
E quando os donos do blog crescerem, serão o que? Sabe-se lá o que, mas tomara que logo encontrem uma novidade pra eles experimentarem, pra eles nunca mais experimentarem nada. O mesmo pra servir à senhora Cristiana Arcangeli (desculpe o termo de baixo calão). Eita mundão anta, seu!
quinta-feira, 18 de março de 2010
Pra quem quer estudar audiovisual livremente - e sabe que isso também é compor o livre estudar
Inscrições abertas para a Turma 5 da ELCV - Escola livre de Cinema e Video de Santo André
Ambiente de diversidade de sexo, idade, aparência, cultura, religião, gostos, vontades, políticas, CINEMAS E VIDEOS. Pedagogia livre e colaborativa: desde grade até aulas, atividades e ambiente todos participam ativamente para formar uma escola - todos fazem a escola. Aulas orientadas para prática e conforme as funções de cinema e video.
As vagas são apenas 50, e o curso é gratuito, por isso a concorrencia é grande. Para seleção são necessárias algumas etapas. Então, não percam a chance, pois a próxima inscrição, só abrirá daqui há dois anos.
A ELCV interessa a artistas, técnicos, profissionais e amadores audiovisuais, que desejam expandir conhecimentos, complementá-los ou adquirí-los. Todos são bem-vindos. Não há restrição se você faz parte de centros culturais e cinéfilos, do meio ativista, estudantil, de qualquer região do país. Não se procuram peritos, produram-se dispostos. Importa não um público nivelado, mas gente com vontade de fazer sempre um grande curso e uma excelente escola, um contribuindo com o outro - pois não é apenas aula de qualidade que faz uma escola. Na ELCV existe essa oportunidade e necessidade à todos os que se envolvem nela. Esse é outra de nossas particularidades; as demais, estão no cotidiano da escola, que gera audiovisual.
Inscrições para o Núcleo De Formação da
Escola Livre de Cinema e Vídeo de Santo André
As inscrições para o Núcleo de Formação da Escola Livre de Cinema e Vídeo de Santo André estarão abertas no período de 15 de março a 30 de abril de 2010.
Para se inscrever o candidato deverá comparecer a sede da Escola Livre de Cinema e Vídeo, no horário das 9h às 11h e das 14h às 21h, munido dos seguintes documentos:
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Para acessar Clique aqui ou no link: http://www.santoandre.sp.gov.br/secretaria/bn_conteudo.asp?cod=3513&opr=256&categ=sec_cultura 2°) Uma foto 3x4 4º) Cópia do Comprovante de Endereço 5º) No ato da inscrição o candidato receberá um tema e terá 50 minutos para redigir uma redação. - Resultado dos selecionados para a 2ª fase: 04 de junho. - Resultado dos selecionados para a 3ª fase: 25 de junho 3ª fase – prova de aptidão: 30 de junho e 01 de julho - Resultado final: 09 de Julho |
*OBS.: As aulas do Núcleo de Formação em Cinema acontecem de segunda a sexta-feira, das 19h30 às 22h30. O curso tem duração de 3 anos, sendo o último ano para acompanhamento dos projetos, ou seja, não haverá aula todos os dias!
Local:
Escola Livre de Cinema e Vídeo
(Parque Chácara Pignatari)
Av. Utinga, nº 136 – B. Sta. Terezinha - Sto. André
Fone: 4997-2155
Como chegar (clique para Google Maps):
VER MAPA: Trem CPTM L10 (Estação Prefeito Saladino)
VER MAPA: Carro - São Paulo - Av. dos Estados
VER MAPA: Carro - São Bernado do Campo - Av. Pereira Barreto
VER MAPA: Carro - Diadema - Piraporinha
VER MAPA: Carro - Sâo Caetano - Av. Goiás
Site da Prefeitura:
http://www.santoandre.sp.gov.br/bn_conteudo.asp?cod=3513
Blog de alunos:
http://elcv.blogspot.com/
Blog com videos da ELCV Turma 4:
http://elcvsa.blogspot.com/
Youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=KSMxXtsSPyY&feature=related
Flickr:
http://www.flickr.com/photos/elcv
Twitter:
http://twitter.com/ELCV
Orkut Escola Livre de Cinema e Video:
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=525510
Orkut ELCV Turma 4:
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=66395169
Orkut Curso de Interpretação 2009:
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=93676019
Matérias:
http://www.reporterdiario.com.br/index.php?id=135865&secao=3
http://www.abcdmaior.com.br/noticia_exibir.php?noticia=8435
http://www.dgabc.com.br/default.asp?pt=secao&pg=detalhe&c=4&id=1063106
Um pouco mais sobre a ELCV:
A Escola Livre de Cinema e Vídeo de Santo André oferece desde 2001 o Curso Livre de Formação em Cinema, que acontece de segunda a sexta- feira, das 19:30h às 22:30h, com duração de 2 a 3 anos, assim como nas universidades. Porém, por se tratar de um curso LIVRE, não tem diploma e reconhecimento pelo MEC. Mas possui autonomia na parte pedagógica em não seguir modelos padrões, idealizando e construindo no seu cotidiano a pedagogia democrática para o ensino prático do cinema.
http://www.youtube.com/watch?v=KSMxXtsSPyY
No momento a turma 4 do curso livre de formação em cinema está no quarto semestre. A próxima turma está programada para começar em agosto de 2010 e as inscrições estão abertas até o final de abril. Não há pré-requisitos para participar da seleção e nem é preciso ser morador de Santo André, a não ser idade superior a 18 anos para se inscrever.
Lembramos que as atividades e os cursos da escola são gratuitos!
Escola Livre de Cinema e Vídeo
Depto. de Cultura – Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer
Prefeitura de Santo André
Tel.: (11) 4997.2155 / 4997.1167
domingo, 3 de janeiro de 2010
Bordwell
"Apesar de os críticos reclamarem que os filmes estão repletos de corridas, explosões e tiroteiros, a cena padrão continua sendo a conversa. Essas cenas são dominadas por duas normas da prática da encenação cinematográfica: "levanta e fala" e "anda- e-fala". Ambas florescera, no cinema clássico de estúdio, mas entre esses extremos, também havia a coreografia de jejum de amor (v. quadro). Hoje, esse jogo intermediário praticamente desapareceu. Em vez disso, os cineastas desenvolveram métodos de edição e movimentos de câmera que dão andamento a diálogos parados ou conversações em atividade."
"Na abordagem "levanta-e-fala", que pode se tornar "senta-e-fala", os personagens aparcem tomando posições, geralmente num plano-sequência. Um eixo de ação governa as orientações e linhas de olhar entre atores, e as tomadas, embora variadas em ângulo, são filmadas de um mesmo lado do eixo. Os movimentos dos atores são coordenados pelos cortes. À medida que a cena se desenrola, os planos tendem a se aproximar dos atores, levando-nos para o âmago do drama. A montagem analítica apresenta campo/contracampo, ângulos na altura dos ombros e planos únicos - tudo que se exige para seguir os códigos tradicionais da montagem da continuidade clássica. Quando os personagens mudam de posição dentro do espaço, aparece um novo plano geral para nos informar."
"Não importam as variações ou alternativas que possamos encontrar, esses esquemas são quase um segunda natureza para os cineastas. "Se tudo o mais falhar", diz Ron Howard a um diretor novato, "filme um plano-sequência, algumas tomadas na altura dos ombros e planos únicos". O mesmo conselho poderia ter sido dado em 1925. A diferença báscia é que, em 1930, uma cena como a de Jejum de amor, de Hawks, poderia integrar a montagem analítica como uma coreografia complexa. No cinema contemporâneo, a estratégia do "levanta-e-fala" domina. Tendo colocado os atores em seus lugares, os diretores dinamizam os diálogos pela montagem e por outros artifícios cinematográficos. Chamaremos esse novo estilo, que emergiu nos anos 1960 e se difundiu enormemente nos anos 1980, de continuidade intensificada."
E para os que precisarem de maiores esclarecimentos:
"(...) Aqui, eu me separo de Bazin e dos críticos dos Cahiers: a imagem cinematográfica nos dá uma projeção em perspectiva, mas essa projeção não precisa filmar um mundo preexistente."
"Uma vez que a encenação cinematográfica já não precisa captar um bloco de espaço-tempo independente, não podemos julgar o valor artístico baseados na fidelidade à realidade. (...)"
"Figuras traçadas na luz - A encenação no cinema" - David Bordwell
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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Beslusconi+Lula
Índice de aprovação do primeiro ministro da Itália, Silvio Beslusconi, subiu após meiga agressão de Massimo Tartaglia, que as más linguas disseram ser um lelé da cuca apolítico - ou melhor, sem partido. O índice subiu para 55,9%, contra os 48,6% em novembro.***
No Brasil, a aprovação do Presidente Lula também subiu: pra 78% em dezembro. Mas aqui o ferido, e em estado realmente grave, foi Fábio Barreto, diretor do filme (""?).
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domingo, 22 de novembro de 2009
Agora vai?
Ministério da Cultura quer abrir cinemas em cidades pequenas
O Ministério da Cultura e a Agência Nacional do Cinema (Ancine) lançaram hoje (4) o projeto Cinema da Cidade que pretende viabilizar a construção ou reabertura de cinemas em cidades de pequeno e médio porte (entre 20 mil e 100 mil habitantes). Dos 1.371 municípios brasileiros com essa população, apenas 194 possuem salas de cinemas.
Autor/Fonte: Agência Brasil - http://www.pedefigueira.com.
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Cinema: olhos do homem
Não que seja uma abominação uma teleconferência, mas daí muita gente se desfazer, por exemplo, no prazer de ler, de ir a uma livraria - pois se deixa de ir a uma livraria talvez pelo preço, oportunidade de compra ou comodidade de receber o livro comprado pela interenet - no mínimo indica algo em mutação, ou talvez, algo em vias de entrar em mutação (como alguém da ponta do trampolim a primeira vez, naquele instante em que o corpo cogita: altura/água). Nada de conservadorismo.
Vão dizer que usar o audiovisual da web faz alcançar o público, cada vez mais enxuto e seleto grupo de leitores de livros, de um modo que proporciona resultados. Isto, se o resultado retornar, e para tanto, o público tem de aceitá-lo como condutor de interesses que também se cruzam.
Só que se vingar o novo uso da mídia, não estará ela substituindo um processo não fundamental de compra, mas de expriência presencial? A arte também proporciona experiência ao ser humano, mas propaganda não é arte, nem toda bela produção audiovisual. Não estará a nova mídia superestimando o olhar, e começando a alocar nele o principal das experências antes presenciais, tácteis? O que muda? O que melhora?
Se ainda não temos respostas, ao menos novas fronteiras de trabalho audiovisual começam a surgir. Umas, mediante animação em After Effects ou Flash, por exemplo, utilizando em conjunto sonorização e algum desenho de som (a pós produção é a produção), como no caso dos comics norte-americanos da Marvel, que agora vive de megacruzamentos entre as diversas mídias que são cada uma de suas publicações - e isso não é novidade para a Marvel, na verdade o que se dá hoje é outra exacerbação; a editora vive de crossover seguido de crossover, onde as mídias-personagens não mais se desenvolvem tanto para algo novo, mas mais desempenham uma teia entre si para a escora de temas ou enredos.
Outras, pelo tradicional, mais custoso (mas de melhores resultados finais) modo de produção cinematográfico, em todas as fases de criação e produção, e também na pós-produção, redundam em filmes com a duração quase 6 vezes maior que os tradicionais comerciais de TV. Trailers de livros, que já desenham para você, antes de você imaginar durante a leitura: a imagem é superestimada então, fora do homem, e nem tanto nele (imaginar a leitura de um desses livros vem com uma dosesinha de condicionamento - coisa que nem sempre a mais vil das propagandas faz); tanto é que mais do que livro, acaba sendo o audiovisual que atrai o leitor - estatísticas apontarão o incremento da decepção comum a muitos livros no ato de ler?
A ferramenta de marketing já está sendo adotada no Brasil, em trailer para "O Seminarista", de Rubem Fonseca. Interessante notar que a decupagem deste já não age tão substitutivamente na relação imaginação-leitura, parecendo até proporcionar um via adicional a imaginação - mas será que o trailer não deveria ser visto após a leitura, ou ao anteceder a releitura do livro?
Não gostou do texto? Achou ele futurologista pra burro? Tudo bem, um dia, se a imaginação cair em desuso, quem sabe o texto não fica cult ou volta a moda?
Deus me livre! Qualquer hora eu deleto este post.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Dragon Age: Origins - Launch Trailer
Um trailer de game bastante competente. Vale à pena uma espiada.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
domingo, 11 de outubro de 2009
21ª Mostra de Video de Santo André
De 16 à 18 de Outubro de 2009, em Santo André. Quem puder, compareça, tem filme meu lá que fiz na ELCV, o curta "Espírito de Armar" (BRA - 2009 - 13 minutos) - livre adapatação de Hamlet, que propõe suberversão sutil, reorientando aspectos da obra. Claro, muitos outros filmes competindo; o meu está em mostra paralela, não compete. A programação:16 de OUTUBRO
19h00– Auditório Heleny Guariba / Teatro Municipal
Cerimonial de abertura da 21ª Mostra de Vídeo de Santo André.
19h30– Auditório Heleny Guariba / Teatro Municipal
(Exibição dos trabalhos selecionados para a 21º Mostra de Vídeo de Santo André).
ANA BEATRIZ (Ficção / 9’00’’/ HD)
Diretora: Clarissa Cardoso | Brasília – DF | “Ana Beatriz e Paulo Roberto ainda não se conhecem, mas foram feitos um para o outro”.
CRISÁLIDA (Vídeo-dança / 4’00’’/ Mini DV)
Diretora: Paula Ramos | Santo André – SP | “O vídeo apresenta um corpo inquieto. Um impulso desencadeia incômodo e o leva a uma movimentação inesperada”.
ENFIM DOIS (Comédia / 7’00’’ / 35 mm)
Diretor: Thiago Vieira | São Paulo – SP | “O filme mostra um pequeno trecho da história de um casal crise”.
ÍCARO DA SILVA (Ficção / 4’48’’ / Mini DV)
Produtora: Associação Cultural Kinoforum | São Paulo – SP | “Garoto sonha em voar, tentando de diversas maneiras inusitadas”.
A MONTANHA MÁGICA (Documentário / 13’00’’/ 35 mm)
Diretor: Petrus Cariry | Fortaleza – CE | “De tanto se divertir lá em cima ele caiu, quinze metros, faltou ar! Até onde vai a verdade? Até onde vai a imaginação?”.
A PASSAGEIRA (DO TREM DAS ONZE) (Documentário – Animação / 12’30’’ / Mini DV)
Diretor: Rogério Nunes | São Paulo – SP | “Histórias e estórias do Tramway da cantareira, o famoso trem que inspirou a canção de Adoniram Barbosa”.
SAMPARKOUR (Documentário / 6’40’’/ Mini DV/DV)
Diretor: Wiland Pinsdorf | São Paulo – SP | “Um documentário que revela a cidade de São Paulo. Onde a maioria das pessoas vê obstáculos, Zico Corrêa enxerga novas possibilidades”.
TRIPULANTE (Experimental / 1’20’’/ VHS – Super VHS)
Diretor: Dirnei Prates | Porto Alegre – RS | “Memórias, citações e alegorias num momento de despedida”.
17 de OUTUBRO
Programação Paralela
12h00 / 12h30 / 13h00– Escola Livre de Cinema e Vídeo (Chácara Pignatari)
Cine Dança Infantil:Exibição de curtas produzidos para crianças e, em seguida, bate-papo com Tamara Ka. O Cine Dança Infantil se dá em parceria com a E.L.D. – Escola Livre de Dança de Santo André e será realizado na sede da Escola Livre de Cinema e Vídeo de Santo André – Av. Utinga, 136 – Chácara Pignatari.
Tamara Ka: trabalha com audiovisual desde 1990 e desde 2000 é professora em comunicação, semiótica da cultura e questões ligadas ao audiovisual e as artes visuais e cênicas. Já produziu documentários para a TV Cultura, e inúmeros trabalhos para instituições tais como SESC e Itaucultural. Em 2007 publicou o livro Memória do Efêmero.
MESA REDONDA: “Cinema alternativo, como sobreviver?” - 17h00 –Auditório Heleny Guariba / Teatro Municipal
Uma discussão sobre o audiovisual na região do ABCD e arredores: “os caracteres artísticos experimentais”, “o fazer audiovisual e sua interação com a cidade”, “as possibilidades nas leis de incentivo”...
Com Diaulas Ullysses (Coordenador do Cine Eldorado de Diadema), Reginaldo Túlio (coordenador do projeto Cine-Favela) e Fábio de Arruda (da produtora Família Brasil e coordenador do projeto Curta Química e Natureza).
PALESTRA: “Exibir para difusão e reflexão” - 18h30 –Auditório Heleny Guariba / Teatro Municipal
Com Willian Hinestrosa: Formado em filosofia. É coordenador dos programas brasileiros do Curta Kinoforum – Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo. De 1999 a 2002, atuou na organização do Festival de Cinema em Super 8 de São Paulo, realizado no Espaço Unibanco de Cinema.
20h00 –Auditório Heleny Guariba / Teatro Municipal
Mostra Paralela: Trabalhos da Escola Livre de Cinema
OFÉLIA (Ficção / 2’ 30’’ / mini dv)
Santo André - São Paulo | Diretora: Margarida Amorim | “Abandonada por todos, Ofélia se entrega ao doce beijo da loucura.”
ESPÍRITO DE ARMAR (Ficção / 13’ 00’’ / Digital DV)
Diretor: Angelo Szamszoryk | “Livremente Inspirado na obra Hamlet, de Willian Shakespeare.”
Exibição dos trabalhos selecionados para a 21º Mostra de Vídeo de Santo André.
AUTONOMISTAS (Documentário / 14’52’’ / Mini DV)
Diretor: Marcos Paulo Galinari | São Caetano do Sul – SP | “Relato da luta dos líderes autonomistas pela emancipação político-administrativa da cidade de São Caetano do Sul ocorrido em 1948”.
DARLUZ (Ficção / 15’00’’ / Mini DV)
Diretor: Leandro Goddinho | São Paulo – SP | “Dei José, dei Antônio, dei Maria. Dei, daria e dou. Não posso criar”.
ENIGMA SOBRE A TERRA (Animação / 3’00’’ / HDV)
Diretora: Bárbara de Azevedo | São Paulo – SP | “A inusitada aparição de um enigma sobre a terra”.
ORLANDO MATTOS ENTRE O SAGRADO E O PROFANO (Documentário / 15’00’’/ VHS/ SUPER VHS / Mini DV / DV)
Diretor: Diaulas Ullysses | São Bernardo do Campo – SP | “O homem e artista Orlando Mattos nos conduz ao seu próprio universo do desenho, da pintura e da vida, onde singelas imagens do seu cotidiano são transpostas sob um olhar crítico e sensível”.
REVERSO (Ficção / 5’38”/ 35 mm)
Diretor: Francisco Colombo | São Luis – MA | “O que diferencia os indivíduos é a capacidade de realizar determinados atos”.
SEMEADOR URBANO (Ficção / 7’30’’ / Mini DV)
Diretor: Cardes Amâncio | Belo Horizonte – MG | “Uma ficção da realidade das plantas que reconquistam seu espaço entre o concreto de uma metrópole”.
O SONHO DE JONAS (Ficção / 5’48’’ / Mini DV)
Diretores: Gustavo Chiappetta e Jorge Henrique Maia | São Paulo – SP |“Jonas foi expulso do seu ovo e teve que sair do seu silencioso e quente aconchego. Mas tudo isso irá mudar! Nosso herói vai à luta, custe o que custar!”.
A TELEVISÃO (Vídeo-dança / 6’25’’/ Mini DV)
Diretor: Marcelo Moraes | São Paulo – SP | “Baseado na idéia do que a televisão causa nos seus expectadores e quais as manifestações corporais presentes no ato de assistir televisão”.
TROTV (Experimental / 1’53’’/ Mini DV)
Diretor: Nelton Pellenz | Porto Alegre - RS | “Uma narrativa autoral a partir de tomadas feitas sobre cenas de seriados de TV”.
18 de Setembro
14h00– Auditório Heleny Guariba / Teatro Municipal
Bate papo: “Cine Dança: a relação e intersecção entre a linguagem cinematográfica e o movimento da dança”. O evento é uma parceria da E.L.C.V. – Escola Livre de Cinema e Vídeo de Santo André com a E.L.D. – Escola Livre de Dança de Santo André.
Tamara Ka: trabalha com audiovisual desde 1990 e desde 2000 é professora em comunicação, semiótica da cultura e questões ligadas ao audiovisual e as artes visuais e cênicas. Já produziu documentários para a TV Cultura, e inúmeros trabalhos para instituições tais como SESC e Itaú Cultural. Em 2007 publicou o livro Memória do Efêmero.
18h00– Auditório Heleny Guariba / Teatro Municipal
Palestra com Rubens Rewald: “Cinema digital: Por que fazer? Onde exibir?”
Rubens Rewald – professor de Roteiro para o Curso de Cinema e de Rádio e Tevê da Escola de Comunicação e Artes da USP. Já orientou vários cursos de realização e pesquisa audiovisual. De 1987 a 2006, atuou como roteirista, diretor e produtor da Confeitaria de Cinema, produtora de vídeos institucionais e documentários. Roteirizou e produziu várias produções cinematográficas entre elas: CORPO (ano de 2007) – longa de ficção produzido com recursos do MinC, do fomento do Estado de São Paulo e do Fomento da Prefeitura de São Paulo, exibido em muitos festivais do Brasil, Estados Unidos, Europa e Ásia.
19h30 –Auditório Heleny Guariba / Teatro Municipal
Mostra Paralela: Trabalhos da Escola Livre de Cinema
PRIMEIRO DIA (Ficção / 3’ 00’’ / Hi-8)
Realizado pelos alunos do projeto Primeiro Foco / E.L.C.V. | “O primeiro dia de uma garota na escola.”
CULATRA (Ficção / 2’40’’ / Mini Dv)
Diretor: Marcio Rodrigues Lima | “Um micro ato, um intenso ato de violência, uma grande metrópole.”
Exibição dos trabalhos selecionados para a 21º Mostra de Vídeo de Santo André.
3.33 (Ficção / 11’40’’ / Betacam)
Diretora: Sabrina Greve | São Paulo – SP | “Uma artista que está no limiar entre a vida e a morte constrói um universo delirante, misturando realidade e fantasia”.
AMANTES (Vídeo clip / 4’35’’ / Mini DV)
Diretor: Marcelo Moraes | São Paulo – SP | “Vídeo inspirado na música “Amantes”, do cantor Daniel”.
O DIVINO, DE REPENTE (Documentário – Animação / 6’20’’/ Super 16)
Diretor: Fábio Yamaji | São Paulo – SP | “Ubiraci Crispim de Freitas, personagem real conhecido como Divino, canta repentes e conta sua vida neste documentário animado com ficção experimental”.
ENTRELINHAS (Experimental / 2’47’’/ Mini DV)
Diretor: Nelton Pellenz | Porto Alegre – RS | “Entre as linhas, as entrelinhas”.
IMPEJ (Documentário / 10’00’’/ Mini DV)
Diretor: Rafael de Almeida | Campinas – SP | “Na busca do significado de uma palavra, outra visão do mundo”.
PONTES E PEGADAS (Vídeo-arte / 6’28’’/ Mini DV)
Diretor: Carlos Lotto | Santo André – SP | “A cidade de Santo André através do trabalho do artista plástico andreense Moisés Patrício, que utiliza materiais recicláveis e técnicas alternativas em suas gravuras e telas”.
A TAL GUERREIRA (Documentário / 14’00’’ / Mini DV)
Diretor: Marcelo Caetano | São Paulo – SP | “Um sound-system no cemitério. Go-Go Boys nos atabaques. Uma televisão no terreiro”.
VALPARAÍSO (Documentário / 15’00’’/ Mini DV)
Diretor: Diego Hoefel | Rio de Janeiro – RJ | “Naquele dia, eles cantaram por Valparaíso”.
Logo após a exibição haverá a divulgação dos premiados!
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Escola Livre de Cinema de Santo André
cinemaevideo@santoandre.sp.gov.br
Fones: 4997-1167 / 4997-2155
Auditório Heleny Guariba (anexo ao Teatro Municipal)
Praça IV Centenário, S/N - Centro – Santo André
Fone: 4433-0789
quarta-feira, 24 de junho de 2009
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Coleção de sinopses - I
Durante a Segunda Guerra Mundial, barcos alemães entregam ao Japão o coração do monstro de Frankenstein, no preciso momento em que explode a bomba de Hiroshima, contaminando radioativamente o coração.20 anos depois, cientistas japoneses descobrem um jovem homem das cavernas vivendo nas montanhas e, por ter comido o coração radioativo, cresce a um tamanho gigantesco!"
O super-homem-das cavernas fica vagando pelo Japão até que explode o confronto com o dinossauro escavador Baragon, devorador do petróleo das refinarias.
Do filme "Frankenstein conquers the world (Furankenshutain tai chitei kaijû Baragon)".
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Ensaio sobre a cegueira
Certa vez um episódio de “The twilght zone” trouxe um personagem míope que era um obstinado leitor, interpretado por Burgess Meredith. A personagem da esposa, era dura com o protagonista, impedia o desfrute da leitura; o chefe dele indignava-se, pois trabalho, na empresa, deve ter sempre seu lugar e nele estar inabalável. Um apaixonado e sedento pelo saudável hábito de ler, afrontado pela incompreensão dos que viam a leitura como coisa menor. Farto da repressão, em pleno horário de expediente em sua agência bancária, se refugia no cofre para poder ler. Então, explosão; hecatombe no mundo externo ao cofre, agora tornado em bunker preservador do protagonista. Após um primeiro exame do exterior, ele sai para explorar as ruínas do mundo, lamentando sua solidão de último vivente sobre a Terra. Depois de vagar, tem reacendida a esperança quando se depara com a biblioteca pública que expurgou livros devido ao cataclismo. Cessa a solidão, tudo o que ele mais amava estava à disposição; livros e tempo, sobretudo para consumir os primeiros. É então que descuidando do frágil sustento de seu conforto existencial, um movimento de cabeça faz seus óculos caírem do rosto e as lentes se espatifarem na escadaria da biblioteca: no espaço inicialmente tido como pouco proveitoso, a surpresa da descoberta se esvai, o importante que se extrai dele é tornado em nada; pouco importa o espaço, o tempo prevaleceu sobre ele – e o homem é espaço sujeito ao tempo.
“Ensaio sobre a cegueira” funciona como que com os sinais do episódio de 1959: estória moral ao seu modo, o bailar de virtudes e cinismos humanos entre a perdição da humanidade, redução do valor espacial, o tempo se impondo sobre o espaço. No episódio “Time enough at last”, entretanto, o que se abate sobre o espaço e o altera é espacial (devastação provinda da guerra fria), mas fará o tempo prevalecer ao fim. Em “Blindness”, se dá o inverso; o tempo se abatendo sobre o espaço. Sim, a tal epidemia não é tanto virótica ou bacteriana, mas eventual; um acontecimento sem origem, que chega a maneira dos efeitos temporais, que se vai sem aviso, mas que no filme concede ao espaço vitória. Nosso tempo se abatendo sobre o homem contemporâneo.Questão que sobressai é a da proeminência e persistência do espaço, e até que ela se consolide, a da diminuta representatividade que o espaço veio tendo até a consolidação dela. Também o aceno moral da possibilidade de passar pelo que induz sofrimento sem afetar caráter, pois a argamassa dos tijolos espaciais (na mentalidade moderna, sobretudo, mas bastante presente na pós) é a humanidade. E outra mais: as marcas espaciais sobreviventes ao tempo, mas que em novos espaços (corpos), não valem muito (carregam outra significação – ou significação nenhuma) – pensemos nos combatentes da Segunda Grande Guerra e seus descendentes; um deles, por exemplo, soldado norte-americano no último conflito na palestina: os horrores antigos, espacialmente marcados nos ascendentes familiares, não funcionam como contenção da voracidade do descendente ao chacinar palestinos.
Nas diversas questões estão variados espaços. Destes espaços resistentes, o principal é o civilizado, como nos indicam os planos iniciais, e aos cegados de “Ensaio”, este mundo vai perdendo importância. Os demais seres próximos aos cegados, então, vão sendo reduzidos ao ínfimo.
Mecanismo semelhante vigora na cegueira do filme. A temporalidade na cegueira (pois ela é tempo, e temporária) é algo que chega e inunda os olhos, se impondo sobre a visão. Ela assume a espacialidade na visão, e sobre ela também se dará o sobrepujar espacial.
Todavia, a cegueira para os seres gera fatores de outra ordem. Para quem há muito se fundamenta no ver, a cegueira é um solavanco para dentro de si mesmo; condição que se dá pelo ser existencialmente egoísta, personagem cegado ou não. Outro cego é um obstáculo tanto quando o batente da porta. O eu não ecoa, não importa o espaço. Quem vê, pode fingir que vê, pode forjar inclusão social; quem é cegado, precisa se reduzir a insignificância particular. Cada um está sempre em si, não se deixa transbordar. A visão de quem vê raramente é periférica, a do cegado não ultrapassa o próprio corpo.Porém, não é o outro, nem o espaço, nem o tempo que faz pessoas egoístas. Tão somente o tempo (dês-civilizado), no entanto, expõe o egoísmo no homem; o espaço é onde se viabiliza o egoísmo. O filme então se revestirá do que determina seu espaço como expressão de um tempo-momento, o filme passa a ser, então, espaço.
O emprego de reflexos sobre superfícies, talhados pela fotografia, não afetam personagens. Os reflexos estão disponíveis ao espectador, portanto; são falha de percepção dos personagens em relação ao espaço que os envolve. O mundo é oferecido pela visão, e personagens não percebem o espaço envoltório; falido o olhar de uns, está disposta a falência aos espectadores, que, ou ignoram a circunstância proposta de falência do olhar, ou assumem sua própria falência de olhar (uma proposição que não vai dar em nada, devido à embalagem do produto).
Mas se assume que o olhar dos realizadores falha? Ponto crucial: o conto moralizante – e não moralista – nunca assume que seu próprio olhar falha (como a crítica, que nega o que é fora de seus padrões, mesmo sob a escusa de que quer posicionar seu leitor perante o objeto – ora, se ela pode posicionar, é porque o olhar, pretensiosamente, não falha), logo, se o olhar é falho generalizadamente, ninguém está imune a cegueira, nem o filme, nem quem filma. Por isso que há itens no filme que nada mais serão que maneirismos, bastante fragilizadores do filme, infelizmente; também o preço a pagar por urgência mercadológica/de projeto/de desafio numa transposição de obra literária.
O olhar de todo ser humano está falido, porque este, mesmo vendo, pouco reage ao que vê. Não assumir é rejeitar a visão. Sob o peso da responsabilidade moralizante, o filme também vai relutar em assumir a integralidade de sua visão falha: ele incorpora a falha de visual em reflexos e cegueira branca, mas quando a cegueira se vai, o mundo não apresenta o impacto da grandeza eventual. Em decorrência, desperdiça-se oportunidade de indicar caminhos para a inauguração de novos olhares (e justificar o “Ensaio sobre” no título em português; “Blindness” é mais apropriado ao filme), ousadamente contrariando a noção, como dizer, de Fim da História que muitos iludidamente carregam em si. Preferiu-se reunir coragem para enfrentar a pecha de pessimismo.
Se aposta então, na idéia de que o colapso generalizado não erradica virtudes nem beleza. As virtudes do ser aparecem nas relações humanas, somente; a beleza, entre extremos, e ela escapa do tempo, prevalece no espaço degradado, mas onde ele já não oferece perigo (a casa da protagonista). É possível se acostumar à hecatombe porque a beleza humana é possível, a reconstrução pode vir depois. Há coisas mais valiosas para que se atentar (mesmo sem a visão – o desespero pela cegueira e o em que dela resulta vai sendo tornado uma leviandade). O principal será reconhecer e usar estas coisas. O conformismo é que é fatal, e nada mais. Frustrante Polyana. O problema há no descompasso da poesia, alegoria, ficção, arte, entretenimento, ainda que não sejam conformistas, com a vida, com o ser humano; tudo acaba em artificialidade, e não deixa de ser cegueira. Isso não há delicadeza que conserte.
O plano final: a cegueira depende de como se olha, ou melhor, de para onde se dirige o olhar. A cegueira-evento faz o indivíduo concentrar seu olhar em (e depois voltar para) si mesmo, e oferece isto por colapso da civilização (porque todo filme de fim do mundo precisa oferecer um colapso). Cada vez mais fácil de crer que advirá ao homem o colapso, insiste o filme, mas que depois do recuo da cegueira, tudo está fadado a voltar a sua regularidade – então o filme não termina, se vai da gente, dizendo que sua mola-mestra é coisa menor. Quem perguntar se precisava do estardalhaço com a cegueira tem lá sua razão, embora não possa negar que o filme tem propostas interessantes.■
"Time enough at last", EM 3 PARTES:
http://br.youtube.com/watch?v=7hf7RcufrDk&feature=related
http://br.youtube.com/watch?v=VyvlX2jX9xo&feature=related
http://br.youtube.com/watch?v=UycqyhLi-F0&feature=related
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
César Charlone
"Não posso ficar feliz em um país que gasta o dinheiro dos contribuíntes em filmes que são vistos por apenas 70 mil pessoas. É uma política que está errada - precisamos gastar tanto em exibição quanto em produção. Se a pessoa quiser fazer filmes apenas pra mostrar aos amigos, que o faça com as próprias economias, não com recursos do contribuinte. O dinheiro deste precisa ter um retorno, na forma de filmes que sejam vistos. Parabéns aos caras que piratearam Tropa de Elite, pois isto fez a obra ser vista por toda população. A pirataria é a resposta aos preços abusivos dos cinemas e às dificuldades de acesso as salas de exibição. O cinema precisa ir até o público. Não adianta retomar o cinema para alguns poucos curiosos. E o processo começa na escola: quem estudar autores como Guimarães Rosa também deve estudar a obra de cineastas como Nelson Pereira dos Santos. Até pra ter sendo crítico e ser capaz de analisar o que se vê no Youtube, a garotada precisa ter um professor de história do cinema que já tenha analisado Nelson Pereira dos Santos, Glauber Rocha, Jabor ou Fernando Meirelles. Por que não temos políticas práticas para a exibição de cinema? Por que não temos salas municipais de cinema? Como uma democratização desses espaços e da própria exibição, a população teria acesso a filmes de outras culturas, além da produção massificada encontrada nos shoppings e na TV. Além de um processo de produção afiado, é disso que precisamos agora."segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
True Blood - há bebida nas veias de todos

"True Blood", pelos dois primeiros episódios, é algo feito pra se gostar; para uma grande massa gostar. É realizado nas bases da excelência técnica hollywodiana, e como tal fica devendo em porções que são pertinentes ao Cinema (Hollywood e HBO são cinema, mas Cinema também é muito mais que ambos). Narrativa linear clássica (não se deixe levar pela competente abertura-embalagem), com roupagem de algo contemporâneo de padrão médio. Muito boa fotografia, desenho de som sem estripulias, roteiro sem exageros criativos, edição privilegiando a trama; não se quer ir além e nem ficar aquém disso. Elenco competente transborda latência potencial (todos em ponto de bala pra ir além; querem ir além – poderão ir além?).
Produto de entretenimento puro, com algumas escapadelas críticas que podem soar um pouco fora de lugar para a massa, pois veja bem, ela está diante de um produto orgulhoso de ser mercado (que nivela todos sob segurança supostamente indelével), ainda que na tônica despudorista HBO - que é fundamentalmente mercado, com a diferença de que esta sempre se esmerou em forjar mercado particular para si (“O carona - The hitchhiker”; desde “Twin Peaks”?). A HBO em “True blood” joga sob regras estéticas do mercadão, majoritário, fazendo pensar em novo review estético. É bom notar que o ápice de ousadia, o excepcional “John from Cincinnati”, fez água, coisa que “True blood” já se mostra indisposto a fazer.
Há que se torcer para que o que soa oportunista não o seja (o críticismo social), mas se confirme como uma característica que ao longo da série eleve a qualidade dela. “True blood” coloca o espectador diante de si feito vampiro sedento de sangue; o melhor está aqui, então mais e mais, só que aos poucos, pelos furinhos na jugular. A questão é se mais adiante bate a humanidade no espectador: “Putz, mas é só isso?” – este é o risco da pasteurização mercadológica na série, bem presente, e da vontade de comportar tudo sobre o tema (o espectador, já acostumado ao vampirismo, notará sempre o que é nativo da série, e não a tomará como mesmice da múltipla ficção de vampiro?).
Mas a que vai se dever o necessário incremento de qualidade, a qual a série se inclina, afinal de contas?
Ao conteúdo dramático, sem dúvida. O proposto redesenho social a partir do mercado, é muito interessante, o problema é disparar tiros para todos os lados sem mirar nenhuma vez no mercado que é o grande mantenedor da série. Quero dizer que ousadia estética é uma coisa (que aliás não é o forte de “True blood”), mas ousadia crítica dramática outra. Assumir uma postura crítica sobre muito na realidade, mas não firmar tal postura no jogo mercado-espectador real é no mínimo hipócrita e isso desbarata qualquer ousadia dramática.
Na face de gênero da série, há o perigo do kitsch. “True blood” opta por partir não de uma corrente do sub-gênero vampiresco, mas por contar com a contribuição de todas as correntes, reorientando segundo o momento da série alguns de seus aspectos. O novo vem da reciclagem, não da inauguração: o cenário é a New Orleans e vampiros são ex-humanos mortos de corpo sempre frio que não podem morrer afogados, óbvias referências a Anne Rice; porém a prata que imobiliza e o convite que permite o vampiro entrar numa casa, é de universo vampírico mais clássico; já o beber do sangue de um vampiro não tornar um humano em vampiro (outra coisa os torna, e também não é a mordida de um vampiro), é contrário a Anne Rice, mas é de outra ordem, talvez os quadrinhos da Vertigo ou mitologia não tão popular, mas pode ainda ser coisa criada na própria série. “True blood” é o tabuleiro da baiana de presas pontudas.
Como também a série não é construída para imprimir medo (a indelével segurança), nada de sustos. O máximo de tensão se dá nas viradas dramáticas ou no gancho ao final de cada episódio. O que vai se dando é um desfile de referências aterrorizantes, mas sob condução do drama e de alguma aventura (com alguma ação), também evitando o humor negro, sem desprezar situações de ironia. Mas há presença de outras referências, como filme B de terror, noir, o terror crítico e cômico que se filia a maestria de George Romero, John Carpenter, Joe Dante. Sem gore algum, claro, mas com tempero sexual a la HBO - o que cerca a penetração é explícito, mas a penetração em si nunca o é.
É divertido, mas é inevitável a noção de que vai gastar fácil, principalmente porque o vampirismo é algo desbotadíssimo, que carece de renovação, mas a série não resolve encarar logo de início. Paciência. Se o pior acontecer, toda a parafernália vampírica no futuro será como sobra de carro alegórico de 3 meses pós-carnaval. Acontecendo o melhor, pronto, já dá pra mostrar pra molecada tonta (adolescente ou adulta) o que é série decente, não "Supernaturals" da vida. ■
***
Nada de estrelas ou desenhozinhos. Aprovação: 74,2%
ESTRÉIA: 18 de janeiro de 2009 na, HBO BR, às 22h00.
MINISITE: http://www.hbo-br.tv/trueblood/default.asp
SITE: http://www.hbo.com/trueblood (dá pra assistir a primeira temporada completa em inglês).
IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0844441/
Epsteinmologia
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Libertos
Despreendimento, íntima sensação de leveza;
Desvencilhar-se do outro para ficar preso a si mesmo;
O espontâneo tráfego entre prisões - entre instituição e grupo, entre família e casal, entre o eu e o nós, entre o nada e o tudo - petrificações conceituais aquém da experimentação;
O que fica para depois do "Não me enche o saco!";
Peidar no elevador logo na sequência de outra pessoa que acabou de fazer o mesmo.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Em quadros - II
“Casa de Alice” (Idem – BRA – 2007 – Chico Teixeira) – Dramaturgia cuidadosa e incomum no Brasil, aliada a um trabalho de elenco preciso, mas intenso. Mais uma vez a estrutura familiar
“Trouble every day” (Idem – FRA – 2001 – Claire Denis) – Para que o corpo, se o humano possui intelecto, vontade, sentimento, espírito? Talvez, porque nós, em dimensão física, não somos capazes de nos tocar intimamente tão facilmente pelas nossas porções metafísicas, somente (sem corpo o cinema seria o que?). Nas relações o corpo é como que o filtro de outro corpo em nossa intimidade, para que tão somente o metafísico seja o toque na mais profunda intimidade. Por isso que sexo por si mesmo precisa de amor, desejo e intelecto. Desejo, quando provém de um, corresponde a este um, mas amor faz este impulso ser para outro, ou melhor, para ambos; já o intelecto nos baliza no reconhecimento de amor e desejo como princípio e meio. Faltando amor e sanidade, mas excedendo o limite do desejo, temos a proposta do filme. É como se sem amor só houvesse o ódio, mas no filme este é impelido por um extradesejo; todas engrenagens de uma maquina humana de destruição. Sexo e morte. Daí, todo aquele que penetra na zona de intimidade de um insano, se torna vítima. Nas relações o corpo fornece inúmeros setores de proximidade da intimidade, mas há o resguardo que o desconhecimento do além corpo concede na quase totalidade das situações, caso contrário, a vida seria apenas intimidade. A insanidade do filme cega para isso, e toda forma de vestígio de intimidade vira o meio para explodir o desejo em carga máxima rompendo limites: se o desejo é o um diante do outro, o extradesejo é apenas o um, e o outro só existindo no desejo do um (por isso que nesta situação o outro só dura enquanto palco do desejo; o outro não pode pedir o um, por isso deve ser destruído). O amor quando acessa a intimidade do insano, evita os males do insano. Macabro, dirão, mas o exame mais profundo de comportamentos que se julgam corriqueiros não dirão muito diferente. Num olhar macro (e menor) pela montagem/edição do filme, numa primeira porção desfilam por fragmentação variadas relações humanas (casamento, trabalho, amizade, proteção, manutenção), nos fazendo saber do que ocorre e que algo mais ocorre; então chega uma explicação numa conversa, como que iluminando o indetectável; segue o mergulho numa estabilidade de reconhecimento de circunstância que é quase nada diante de um aprofundamento sem retorno no terrível que não podemos deter – além do intelecto, insanidade e inalcançável por qualquer vontade. Mas resta o amor.
“Chega de saudade” (Idem – BRA – 2007 – Laís Bodansky) – Filme belo, filme alegre, sensível, de olhar delicado, mas sobre algo não todo suave. Impressiona mais do que “Bicho de sete cabeças” este multiplot, dentre os quais um se destaca, por expor o desejo, a paixão e o interesse niveladores de sexos. Desejos diante de mesmas questões, provindo de qualquer sexo, apresentam fragilidades e fragilizações. Por isso niguém é melhor no que quer, mas no que é - e quem são os melhores? Importa certa beleza que há em igualdades em meio a diversidade, isso vai além de curiosidades e saudosismo. O feminino demole o feminismo, e o masculino o machismo, quando a paixão demole barreiras ideais devido à mágoas – e às vezes nem é preciso tempo. O ser humano é hábil em descaramento e em extrair de muita coisa secundária valor e alguma beleza (o que não é o caso do filme). Bravo, Laís.domingo, 28 de setembro de 2008
O carona (The Hitchhiker)
Foi aí que pesquisando na net, descobri algumas informações que atiçaram mais ainda a curiosidade: foi produzida originalmente de 1983 à 1991, teve 6 temporadas; no gênero que uns dizem ser horror, outros mistério, mas é dramática, também; a série é da HBO; foi exibida com montes de cortes de conteúdo, pois continha nudez e violência explícita (a HBO já investia num tipo de série mais adulta, como que numa iniciativa que deu frutos mais recentes, como em "A família Soprano", "A escuta", etc.); e possuia um tom de séries de mãos habilidosas como Alfred Hitchcok e Rod Serling (do "Além da imaginação" - anos mais tarde, aí sim em meados dos anos 1990, a mesma HBO exibia aqui no Brasil "Perversions of Science", algo bem inspirado em "Além da Imaginação", mas não tão variado em gênero; possuia também um tom que lembrava os quadrinhos da EC Comics).
Alguém se lembra de "O Carona", e também "Perversions of Science"?
Porque faça o favor de me dizer, não acho nenhuma das duas em canto nenhum, na web ou em loja. A web, aliás, anda meio esquecida dessas séries - tá vendo como a internet não salva todas as lavouras?
O único video que achei, com propaganda antes (com os geniais Stray Cats), tem a abertura da série mais o início de um episódio de "O carona" - http://www.imdb.com/title/tt0085031/ :
http://www.youtube.com/watch?v=lzonIagnUuc
"Perversions of science" é esta - http://www.imdb.com/title/tt0118426/ :
http://www.youtube.com/watch?v=_Gp4u5vR0hk
Quem puder ajudar, ganha um lindo "muito obrigado" de último tipo. ■
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Wario no Wii
http://www.youtube.com/experiencewii
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
A cidade alicia (tentei evitar)
Sim, “Alice” é produto, tem comprometimento com audiência, mas alcança outro patamar. Não é série, não é cinema, como os autores/realizadores afirmam na propaganda no canal por assinatura. Por seu primeiro episódio, a série alcança êxito dramático, técnico, de realização e tem toque autoral. Mas não é cinema de autor, primeiro porque cinema não é coisa de um, segundo porque “Alice” não é puramente cinema. Um híbrido? Talvez. Certamente, com teor de novidade para a TV.
É interessante observar no primeiro episódio, “Pela toca do coelho”, o que opera Karim Aïnouz (um dos diretores da série, junto com Sérgio Machado, Jonny Araújo e Márcia Faria. A Gullane co-produziu). Considerando seus “Madame Satã” e “O céu de Suely”, a precisão do filmar resulta em economia de tempo, mesmo na duração reduzida de episódio. O cinema de Aïnouz é de minimização presencial de trama e tira bastante proveito do tempo. Estando presente a trama, ela é desenvolvida em instantes preciosos. Entre estes, nos intervalos, que são maiores, cultiva-se cenários, desenha-se o ambiente da série, que é não o da megalópole-sociedade hostil, mas o da avalanche de possibilidades óticas, sônicas e tácteis, o da inter-relação de formas, cores, luzes e sólidos. Um labirinto onde Alice precisa se encontrar em si mais do que se localizar onde está.
Hostil é o que carregamos em nós, mas agimos como se o ambiente que mãos humanas empilharam nos induzisse a setorizar uma angústia, para usar um termo aliado à multiplicidade. Não é a poluição, a aglomeração ou o trânsito, mas o que o homem impele e vai implicar algo nele. Os que não são da megalópole, quando chegam, vão receber o impacto que aviva o que o humano traz consigo. Mas seja miséria ou virtude, conter sua expressão – ou ignora-la, entorpecendo-se – é sinalizar o local onde as construções devem desabar. Logo, importa é o que decidimos ser em meio à hiperatividade e ao incessante; este ambiente fica opressivo quando não se corresponde ao ritmo do que a concentração de humanidade estipulou em seu entorno; ritmo simplesmente pede definição, no caso, de nós mesmos devemos ser. O que ritmo megaurbano cobra, se não receber, concede a paga da hipocrisia. Pela intensidade, o que a megalópole faz no homem vem desavisado, e Alice é pega sem aviso.
Num táxi, indo ao aeroporto para que possa retornar a Palmas, a megalópole envolve Alice para expor quem/o que ela é/detém. Primeiro o trânsito, e a dor da ausência do pai ferve. Alice quer ar, mas a tecnologia no carro está fora de operação. Alice abre o vidro, e para quem vive na megalópole extradiegética, acostumado ao que vê como indício da hostilidade metropolitana na forma do assalto, é pego de surpresa com a negação do fatalismo que se supõe companheiro de todas as horas. Quem executa a virada na vida de Alice é ela mesma se deixando envolver pela demanda da cidade, não é um assalto ou uma enchente que faria isso; Alice tampouco se conforma à ambulância e ao táxi. A livre-escolha humana, ou arbítrio, quer se conceba livre ou não, está em ação, e no primeiro episódio tem muita relevância. A avalanche humana em dados momentos chega antes que o tsunami do mundo. Realismo consciente.
Tendo mergulhado na cidade para atravessar a noite e para perder-se, só chegando o dia Alice pode encontrar seu caminho. Mas há uma bipolaridade disponível a Alice: não tendo lar em São Paulo, e não podendo acessar o lar de alguém, só lhe resta acessar o trabalho de alguém, visto que também não possui trabalho seu para servir de refúgio - São Paulo em sua forte prisão. Alice procura o brechó que pertence à tia numa galeria paulistana. No trajeto diz a si mesma não se arrepender dos atos noturnos, um deles, uma traição; “Não sinto culpa.”, ela diz, exultante, resoluta. Adentra então a galeria, procurando o Brechó Christiania; seu encontro com ele se dá num plano em que uma coluna oculta parte do nome na fachada do estabelecimento, resultando na leitura do termo como “Christi”. Ali se encontra a tia. Na troca de palavras, escapa uma breve dor num “me ajuda”, de menor intensidade a exultação anterior.
Não sabemos ainda se Alice será uma personagem que exibe uma imagem de si para o mundo e por trás dela existirá a Alice genuína, uma personagem que se resguardará em sua descoberta. Mas a interpretação da cidade em “Alice” já cede sinais de que o que a megalópole ergue do íntimo humano, vai criando camadas até o âmago, onde quem somos na verdade está. Embora não pareça, o ser humano é mais forte que a cidade. Por isso, olhos atentos não apenas as camadas banais, mas aos detalhes que pulsarão em menor destaque. De ambos se produz o que as séries da HBO alegam ser, dramáticas. Isso pede olhos não só para entretenimento. Ótimo. ■
***
Nada de estrelas ou desenhozinhos. Aprovação: 77,9%
Se você não é assinante do canal, pode assistir ao primeiro episódio aqui:http://www.alice-hbo.tv
Datas e horários de exibição dos episódios nos canais HBO:
http://www.hbo-br.tv/sinopsis.asp?ser=134&prog=HBE185052
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
A fúria e a razão de Moore
"Acho que o cinema na sua forma atual é muito prepotente. Ele nos dá comida na boca, o que dilui nossa imaginação cultural coletiva. É como se fôssemos passarinhos recém-saídos dos ovos olhando pra cima, com nossas bocas bem abertas, esperando que Hollywood nos alimente com um vômito de vermes. O filme de Watchmen parece mais vômito de vermes. Eu, pelo menos, cansei de vermes.""Há três ou quatro empresas agora que existem somente para criar não quadrinhos, mas storyboards para filmes. Pode-se dizer que a única razão pela qual a indústria dos quadrinhos ainda existe é essa, para criar personagens para filmes, jogos de tabuleiro e outras mercadorias. Os quadrinhos são uma espécie de horta onde crescem franquias que podem ser rentáveis para a indústria cinematográfica debilitada".
Alan Moore, quadrinista, autor de HQS como "V de vingança", "Watchman", "Miracleman", "Do inferno", "A liga extraordinária" e trabalhos emblemáticos com personagens das majors norte-americana, como Monstro do Pântano e Batman.
***
Moore tem razão no que diz, mas em parte.
Certamente Moore fala de uma parcela do cinema, a qual consome, e tem razão no que diz. A parcela do cinema em questão é aquela vereda preferencial do cinema de entretenimento: contar uma boa estória. Isto corresponde a roteiros com tramas e subtramas criativas, personagens que não vão muito a fundo em questões existenciais (para não exigir demais da humanidade que deseja apenas se ver no lugar dos persoangens em situações seguras para o físico, mas que pelo sonho são ousadas), clímax preciso e intenso, imagens que dentro de um padrão de verossimilhança sejam maravilhosas (daí a sede por efeitos especiais), áudio que seja cativante e envolvente. Se pegarmos na literatura os contos de horror, serão aqueles que primam pela atmosfera, e por isso trata-se de uma arte de envolver o leitor numa teia de imaginação em que o sobrenatural espreita na forma de horrores primevos; é uma arte da descrição e sustentação climática por parte dos autores - por isso Edgar Alan Poe e H. P. Lovecraft. Esta é o tipo de arte preferido das grandes produções Holywoodianas. O problema é que a indústria do entrtenimento fez disso produção em massa, e esterelizou a potencia da arte: a arte precisa ser consumida rápido para se consumir mais dela. Eis a razão de Moore.
No que ele erra é sobre a grande produção cinemotográfica mundial (e que Holywood também produz, diga-se), que prima por ser relevante. É arte, mas não necessariamente filme de arte (que pra muita gente doutrinada no catecismo da indústria é o filme chato, por exigir mais da humanidade do espectador). Corresponde ao cinema que se esmera em ser boa experiência, não apenas boa estória, e traz consigo uma gama de artifícios que concede ao espectador visões para e sobre a vida, através de esmero narrativo, alegorias, gramática e sintaxe fílmica, beleza funcional, interferência na vida, incremento humano, e muito, muito mais, inclusive os artifícios usados pela indústria de entretenimento - cada filme tem um valor único e valores subjacentes a serem descobertos. No citado exemplo da literatura de horror, os contos fantásticos, góticos ou não, que funcionam como crítica, filosofia, arte, emblema de época; vale tudo em nome das intenções autorais - por isso Oscar Wilde, William Beckford, Jorge Luis Borges. O problema é que certos autores, gênios até, às vezes são dotados de pompa em demasia. Moore generalizou.
Três ou quatro editoras são notadamente fábrica de idéias para o esgotamento criativo da indústria de entretenimento. Outra generalização. Existe muita HQ na atualidade sendo feita desconsiderando a via para o cinema, tanto é que trata de temas que não se enquadram no Parental Guidance da indústria. Moore parece estar esquecido de que HQ é uma arte tão sequêncial quanto o cinema, e tem proximidade com o cinema: uma estrada atravessa duas cidades.
A prepotência, em princípio, não está na arte, mas no mercado, no entretenimento que só quer consumir mais dele mesmo. A arte usa de artifícios no jogo de manter espectadores/leitores diante de si na contemplação benéfica à humanidade. Ela manipula e pede manipulação dentro dum período em que vigora o lúdico, mas cede de si um retorno a quem lida com ela.
Até certo ponto não há ser humano na face da Terra livre de um mísero traço tirânico. Terrível constatação?
Um exemplo é a declaração de Moore, que pela generalização, impõe a quem a medida de sua diatribe é injusta.■
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
O apreço pela desordem

http://www.imdb.com/title/tt0922605
Não.
A civilização é uma cicatriz eterna enquanto dure o homem, e ela destrói qualquer possibilidade de pureza, apenas pela sua atmosfera, mesmo quando encontra os que nasceram distante dela.
É a respeito de Carapiru a estória e a história. Carapiru é a pessoa-protagonista. Aquele que muitos ainda hoje ousam não considerar pessoa, exatamente os mesmos que intentaram enxotar Carapiru da vida, para posteriormente o cinema acolher (controle), pois o cinema não tem poder de salvar; o cinema não redime a existência – embora traga consigo muitos apontamentos do caminho.
Escurraçado da vida Carapiru recusa ser. Vai existir no exílio, no medo – fosse este impregnado de civilização, seria no ódio, na revolta, mas o mistério da docilidade reside nele – em uma década de solidão humana, mas não existencial, visto que a floresta é existência e cosmo.
No entanto, há muito o cosmo já não é mais certeza de afeto. O cosmo é força ou coisa. No cosmo, o afeto que se apresenta mais disponível, é no humano – mas no que está impregnado de civilização; o afeto coabita com a civilização.
Carapiru encontra satisfação no afeto, mas a civilidade, ainda que parcial, reinventa o vivo-protagonista segundo suas lógicas de controle. A civilização pode corromper o afeto: afeto entre gente e bicho de estimação.
Surge o INCRA, mas o afeto civilizado familiar o resiste (controles). A FUNAI vem corrigir o desvio de afeto lançando o indígena na intensa civilização (controle). Carapiru existe, desde seu reencontro com a humanidade, fora de qualquer esfera de controle?
Existe enquanto enigma a ser decifrado, e depois que o decifram, pela redescoberta do possível afeto familiar original, ele é devolvido ao controle original de etnia. Mas a degradação está em todo lugar, da mata à civilização, sempre provocado pelo controle. Já é mito o indígena livre, ele cada vez mais é o civilization junkie.
Há um idioma que o Carapiru da nossa contemporaneidade fala que intérprete algum hoje é hábil na compreensão. Nem de sua etnia, sua nacionalidade ou sua moral. É no mistério do que fala a quem não lhe entende que Carapiru pode ser isento de controle, e finalmente livre.■
***
Nada de estrelas ou desenhozinhos. Aprovação: 98,8%


