terça-feira, 6 de janeiro de 2009

César Charlone

"Não posso ficar feliz em um país que gasta o dinheiro dos contribuíntes em filmes que são vistos por apenas 70 mil pessoas. É uma política que está errada - precisamos gastar tanto em exibição quanto em produção. Se a pessoa quiser fazer filmes apenas pra mostrar aos amigos, que o faça com as próprias economias, não com recursos do contribuinte. O dinheiro deste precisa ter um retorno, na forma de filmes que sejam vistos. Parabéns aos caras que piratearam Tropa de Elite, pois isto fez a obra ser vista por toda população. A pirataria é a resposta aos preços abusivos dos cinemas e às dificuldades de acesso as salas de exibição. O cinema precisa ir até o público. Não adianta retomar o cinema para alguns poucos curiosos. E o processo começa na escola: quem estudar autores como Guimarães Rosa também deve estudar a obra de cineastas como Nelson Pereira dos Santos. Até pra ter sendo crítico e ser capaz de analisar o que se vê no Youtube, a garotada precisa ter um professor de história do cinema que já tenha analisado Nelson Pereira dos Santos, Glauber Rocha, Jabor ou Fernando Meirelles. Por que não temos políticas práticas para a exibição de cinema? Por que não temos salas municipais de cinema? Como uma democratização desses espaços e da própria exibição, a população teria acesso a filmes de outras culturas, além da produção massificada encontrada nos shoppings e na TV. Além de um processo de produção afiado, é disso que precisamos agora."

César Charlone é uruguaio radicado no Brasil desde 1970, diretor de fotografia (em filmes como "Feliz ano velho", "O homem da capa preta", "Cidade de Deus", "O jardineiro fiel" e"Ensaio sobre a cegueira") e diretor do filme "O banheiro do papa". IMDB: http://www.imdb.com/name/nm0153263 . Trecho extráido da entrevista concedida à revista Zoom Magazine, edição 108 - Ano 9.

2 comentários:

Regina Dias disse...

concordo em numero e grau com a primeira afirmação. GOL!

"Não posso ficar feliz em um país que gasta o dinheiro dos contribuíntes em filmes que são vistos por apenas 70 mil pessoas. É uma política que está errada - precisamos gastar tanto em exibição quanto em produção. Se a pessoa quiser fazer filmes apenas pra mostrar aos amigos, que o faça com as próprias economias, não com recursos do contribuinte. O dinheiro deste precisa ter um retorno, na forma de filmes que sejam vistos. "

vou postar no meu....

abs

ANG disse...

Essa merece reverberar.