quarta-feira, 17 de setembro de 2008

O apreço pela desordem


“Serras da Desordem”, de Andrea Tonacci – BRA – 2006

http://www.imdb.com/title/tt0922605

Fugere urben! Lá no bucólico e pelo naturalismo, onde o homem pode ser puro e a civilização não o alcança, haverá maior realização e o homem maculado será mais íntegro no que perdeu.

Não.

A civilização é uma cicatriz eterna enquanto dure o homem, e ela destrói qualquer possibilidade de pureza, apenas pela sua atmosfera, mesmo quando encontra os que nasceram distante dela.

É a respeito de Carapiru a estória e a história. Carapiru é a pessoa-protagonista. Aquele que muitos ainda hoje ousam não considerar pessoa, exatamente os mesmos que intentaram enxotar Carapiru da vida, para posteriormente o cinema acolher (controle), pois o cinema não tem poder de salvar; o cinema não redime a existência – embora traga consigo muitos apontamentos do caminho.

Escurraçado da vida Carapiru recusa ser. Vai existir no exílio, no medo – fosse este impregnado de civilização, seria no ódio, na revolta, mas o mistério da docilidade reside nele – em uma década de solidão humana, mas não existencial, visto que a floresta é existência e cosmo.

No entanto, há muito o cosmo já não é mais certeza de afeto. O cosmo é força ou coisa. No cosmo, o afeto que se apresenta mais disponível, é no humano – mas no que está impregnado de civilização; o afeto coabita com a civilização.

Carapiru encontra satisfação no afeto, mas a civilidade, ainda que parcial, reinventa o vivo-protagonista segundo suas lógicas de controle. A civilização pode corromper o afeto: afeto entre gente e bicho de estimação.

Surge o INCRA, mas o afeto civilizado familiar o resiste (controles). A FUNAI vem corrigir o desvio de afeto lançando o indígena na intensa civilização (controle). Carapiru existe, desde seu reencontro com a humanidade, fora de qualquer esfera de controle?

Existe enquanto enigma a ser decifrado, e depois que o decifram, pela redescoberta do possível afeto familiar original, ele é devolvido ao controle original de etnia. Mas a degradação está em todo lugar, da mata à civilização, sempre provocado pelo controle. Já é mito o indígena livre, ele cada vez mais é o civilization junkie.

Há um idioma que o Carapiru da nossa contemporaneidade fala que intérprete algum hoje é hábil na compreensão. Nem de sua etnia, sua nacionalidade ou sua moral. É no mistério do que fala a quem não lhe entende que Carapiru pode ser isento de controle, e finalmente livre.

***

Nada de estrelas ou desenhozinhos. Aprovação: 98,8%

Um comentário:

JuditeFer disse...

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